Em dois meses houve 83 empresas a fazer despedimentos coletivos

Se a tendência se mantiver, 2016 arrisca-se a inverter o padrão de descida destes casos que se registava desde 2013

Nos primeiros dois meses deste ano avançaram com despedimentos coletivos 83 empresas e o número de trabalhadores afetados ultrapassou os mil. Se o ritmo observado em janeiro e fevereiro se mantiver, 2016 arrisca-se a inverter a tendência de descida destes casos, que se registava desde 2013.

Ao longo de todo o ano de 2015 ficaram sem trabalho, na sequência de despedimentos coletivos, 5236 pessoas. E, de acordo com os dados agora disponibilizados pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), foram 537 as empresas que usaram este mecanismo para ajustar a força de trabalho à sua atividade económica.

Depois do máximo histórico registado em 2012 (em que 1269 empresas fizeram despedimentos coletivos e foram dispensadas 10 488 pessoas), o recurso a este mecanismo começou a recuar de forma gradual.

Apesar das descidas entretanto observadas, o país ainda não conseguiu regressar totalmente aos níveis registados antes de Portugal avançar com o pedido de ajuda financeira. Em 2015, o universo de empresas com processos de despedimento coletivo foi, pela primeira vez, inferior ao período anterior à chegada da troika, mas esta reversão não chegou ainda ao número de trabalhadores afetados, já que os mais de cinco mil despedidos em 2015 superam largamente os 3462 que perderam o emprego em 2010.

Os dados relativos aos dois primeiros meses deste ano dão conta de que as empresas continuam a recorrer de forma expressiva aos despedimentos coletivos, continuando as de pequena dimensão a ser o grupo mais numeroso de empresas que já iniciaram este tipo de procedimento: são 35 num total de 83. De acordo com os dados da DGERT, estas 83 empresas contam com um total de 18 565 trabalhadores, havendo indicação de que pretendem dispensar 969.

Mais de metade destas empresas (43) situa-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, que, no seu conjunto querem despedir 498 das 17 614 pessoas que empregam. Segue-se o Porto, com 31 processos de despedimento coletivo, nos quais foi sinalizada a dispensa de 355 dos 782 trabalhadores de que dispõem.

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