Desemprego cai à boleia de formação e doença 

Inscritos nos centros de emprego baixaram 20% desde o início do ano, mas desempregados ocupados ou indisponíveis subiram 44%.

O número de inscritos em ações de formação ou com incapacidade para trabalhar devido a doença disparou para 131 350 em junho, uma subida de 44% face a janeiro deste ano, segundo os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Esta evolução poderá explicar em parte a queda acentuada dos registos de desemprego: desde o início do ano, caíram 20% para 282 453, ou seja, há menos 73 415 inscritos. Em comparação com o mês homólogo de 2021, a descida foi ainda maior, de 25,3%, isto é, houve um recuo de 95 419 desempregados.
O ministério do Trabalho afirmou, em comunicado, que "o desemprego atingiu o valor mais baixo de sempre". E, ontem, o primeiro-ministro, António Costa, disse, durante o debate do Estado da Nação no Parlamento, que Portugal está no "bom caminho", tendo em conta que "junho registou o melhor resultado dos últimos 20 anos", congratulando-se com "o investimento das empresas", que "está em máximos históricos".

Porém, uma análise mais fina aos dados do IEFP desde janeiro permite verificar que enquanto o número de desempregados caía, os inscritos ocupados ou indisponíveis devido a doença cresceram de forma considerável, sobretudo os que estão em formação. Há seis meses consecutivos que o número tem vindo a subir: em janeiro, estavam inscritos como "ocupados" 102 539 indivíduos e, no final do mês passado, eram já 111 045, um aumento de 39%. Quanto aos indisponíveis, a progressão não é tão significativa mas, ainda assim, contribui para atenuar o recuo "histórico" do desemprego. Desde abril que os trabalhadores sem emprego e incapazes de ocupar um posto de trabalho devido ao estado de saúde cresceram 5% de 19 288 para 20 305, no final no mês passado. Se somarmos estes aos que se encontram incapacitados chegamos ao valor total de 131 350, que representa quase metade (47%) do total dos registados como estando no desemprego.


O primeiro-ministro disse que "junho registou o melhor resultado dos últimos 20 anos" e que Portugal "está no bom caminho".

Do ponto de vista geográfico, o IEFP referiu que, em junho, o desemprego diminuiu "em todas as regiões do país", com especial destaque para o Algarve, com uma redução homóloga de 51,2%, e a Região Autónoma da Madeira, que tem agora menos 42,8% de desempregados registados. De modo inverso, é na Região Autónoma dos Açores e no Centro que se verificam as menores descidas, de 8,7% e de 17,9%, respetivamente.

O Norte, com 108 642 registos, está em primeiro lugar no ranking das regiões com maior número de desempregados. Segue-se Lisboa e o Vale do Tejo com 97 530 e o Centro com 37 349. Já as zonas com menos inscritos são os Açores (5978), o Algarve (9782), a Região Autónoma da Madeira (10 904) e o Alentejo (12 268).

Salomé Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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