Comprar casa nos Açores pode pesar 20 vezes menos do que em Lisboa

O Imovirtual comparou salário e preço das casas nas várias cidades do país para encontrar as zonas onde o preço do imobiliário está mais ajustado ao rendimento real dos seus habitantes. Em Lisboa o valor das habitações é 22,95 vezes superior ao rendimento médio anual. Já na Calheta, nos Açores, é de apenas 3,7 vezes.

É um compromisso para a vida e pesa cada vez mais ao final do mês. Como "encontrar a cidade perfeita para o orçamento disponível parece uma tarefa impossível", o gabinete de estudos do Imovirtual, portal de busca de imóveis, partiu para uma análise de cidades, rendimentos e preços de venda de imóveis. O objetivo? Encontrar as zonas de Portugal onde o preço do imobiliário está mais ajustado ao rendimento real dos seus habitantes.

Os resultados indicam que ainda há zonas onde é possível comprar uma casa abaixo dos três dígitos, e onde o rácio entre o preço do imóvel e o vencimento é de apenas três ou quatro vezes.

Para encontrar os locais mais acessíveis para se investir numa casa para morar é preciso ir às ilhas ou ao interior do país. Na Calheta (São Jorge, Açores), um imóvel para habitação custa, em média, menos de 50 mil euros. Como naquela localidade o rendimento médio anual é de 13 293 euros (resultado obtido a partir de dados do INE), uma casa vale 3,71 vezes o rendimento - 371% do salário.

"Uma casa nos Açores é ainda mais acessível do que se possa pensar", refere a equipa do Imovirtual, que coloca ainda as Lajes do Pico em segunda posição neste ranking, e ainda Angra do Heroísmo e Praia da Vitória em sexto e sétimo lugares.

O pódio da acessibilidade fecha-se com Portalegre, no interior alentejano, que ocupa a terceira posição, e onde, refere este estudo, uma casa, já na faixa dos 85 mil euros, vale 4,7 vezes o rendimento médio anual. Castelo Branco, Beja, Guarda e Bragança, tudo cidades do interior, estão também entre as posições cimeiras.

Por oposição, Lisboa, Faro e Porto são as cidades onde o preço das casas está mais desajustado dos rendimentos da população, com a capital do país a revelar-se não só num campeonato diferente das demais mas também bastante acima do segundo lugar menos acessível para comprar uma casa.

Para se adquirir um imóvel para habitação em Lisboa, o Imovirtual, com base em dados do Everything Overseas, estima que sejam precisos 577 mil euros. Numa cidade em que o salário anual médio é de 25 169 euros, a casa vale 22,95 vezes o rendimento anual de um cidadão. São quase vinte vezes mais do que na Calheta, o concelho mais barato do país.

A diferença também é grande quando se compara com a segunda cidade mais desajustada do país: Faro. Em Faro, a casa vale 1325% do rendimento, estando os imóveis avaliados em pouco menos de 250 mil euros.

O Imovirtual analisou também as zonas do país mais atrativas para se investir em imobiliário e, aí, é a Calheta, na Madeira, que vence como "o melhor local para os investidores focarem a sua atenção, com os preços das casas a aumentarem uns massivos 1231,57% apenas em doze meses", revela o Imovirtual.

O portal destacou ainda que Évora segue em segundo lugar, com um aumento de 1204% em 2018 e 2019 e, na terceira posição, coloca Vila do Porto, nos Açores, "que também merece atenção se o investimento for um dos aspetos importantes da compra de casa".

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