Arménio Carlos acusa Portway de "fraude" no despedimento de trabalhadores

Para o secretário-geral da CGTP-IN, "não há uma redução de postos de trabalho. O que há é uma substituição de trabalhadores com vínculos estáveis por outros trabalhadores com vínculos precários"

O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, acusou hoje, em Faro, a Portway de estar a realizar uma "fraude" ao anunciar a intenção de despedir 257 trabalhadores em todo o país.

"Estamos perante uma fraude que está a ser desenvolvida pela Portway, que não tem nada a ver com a sazonalidade", defendeu Arménio Carlos à margem de uma reunião de trabalhadores da empresa que presta serviços de apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio nos aeroportos. Para o secretário-geral da CGTP-IN, "não há uma redução de postos de trabalho. O que há é uma substituição de trabalhadores com vínculos estáveis por outros trabalhadores com vínculos precários".

Os aeroportos portugueses "não podem continuar a ser um antro de precariedade num quadro em que há um aumento do número de turistas", insistiu Arménio Carlos. Os sindicatos da Portway realizaram hoje um plenário de trabalhadores no exterior do aeroporto internacional de Faro onde estiveram presentes cerca de 30 pessoas.

A CGTP anunciou na quarta-feira, durante um protesto dos trabalhadores de 'handling' da Portway e SPdH/Groundforce junto ao aeroporto de Lisboa, que vai solicitar ao primeiro-ministro e ao ministro do Trabalho medidas rápidas para travar o despedimento coletivo daqueles trabalhadores.

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos - SITAVA também entregou na quarta-feira um novo pré-aviso de greve dos trabalhadores de 'handling' da Portway e da Groundforce, endurecendo a luta laboral contra a precariedade e o despedimento coletivo.

A Portway anunciou, em março, que vai avançar com o despedimento coletivo de 257 trabalhadores, na sequência do fim da prestação de serviços de 'handling' (assistência nos aeroportos) à companhia aérea Ryanair em Faro, Lisboa e Porto.

A 27 de abril, o presidente do Conselho de Administração da Portway disse que a empresa de assistência nos aeroportos espera readmitir os trabalhadores afetados pelo despedimento coletivo dentro de quatro a cinco anos quando recuperar os atuais níveis de atividade.

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