Um novo estádio como prenda para o velhinho Salgueiros

O Sport Comércio e Salgueiros comemora este sábado o 107.º aniversário e viu a Câmara Municipal do Porto ceder o Complexo Desportivo de Campanhã para servir de nova casa do clube.

Já esteve vários anos na primeira divisão do futebol português, chegou à Europa do futebol (onde apadrinhou a estreia de Zinedine Zidane, então um jovem médio em ascensão no Cannes), deu palco a jogadores como Ricardo Sá Pinto ou Deco e tinha no Vidal Pinheiro uma casa emblemática no coração de Paranhos, a maior freguesia do Porto.

O velhinho Salgueiros perdeu tudo isso. Ficou sem estádio, desceu às catacumbas do futebol distrital, passou por falências, perdeu o nome (entretanto recuperado) e tenta agora reerguer-se, aos poucos, de forma a resgatar os dias de glória do clube. Agora que comemora os 107 anos de existência, o popular clube de Paranhos recebeu uma prenda da autarquia portuense considerada fundamental para o arranque de um novo ciclo: a cedência de um novo "estádio", o Complexo Desportivo de Campanhã, no Cerco do Porto, onde o Salgueiros vai poder voltar a ter uma casa para treinos e jogos, depois de mais de 14 anos a jogar em casas emprestadas na periferia.

Depois de ver demolido o estádio Vidal Pinheiro, o Salgueiros começou um verdadeiro corropio para conseguir jogar. Começou por ser em Matosinhos, no Estádio do Mar (Leixões), depois houve uma mudança para Leça e, mais recentemente, jogou no Estádio Dr. Vieira de Carvalho, na Maia, e no Municipal Costa Lima, no Castêlo da Maia. Agora, regressa por fim ao Porto, ainda que não à freguesia de Paranhos.

As saudades de Vidal Pinheiro

Miguel Pedro, capitão da equipa, atualmente com 34 anos, recorda-se do último jogo em Vidal Pinheiro: "Fui dos poucos que disputou o último jogo em Vidal Pinheiro. Estava lá e vi pessoas a chorar. Foi muito emocionante e triste. Por isso mesmo, e depois de tudo o que passou, foi com grande alegria que vi o Salgueiros ter uma casa. Olho para o que resta do Vidal Pinheiro e sinto nostalgia, lá fui apanha-bolas, adepto de bancada, jogador. Um dia voltaremos."

O novo estádio, que será designado como Estádio do Cerco, ainda não tem as condições pretendidas, mas tudo começa a compor-se. Para já, existe apenas uma bancada descoberta para cerca de 200 pessoas, um sintético "duro", como definiu Jorginho, uma lenda do clube salgueirista e que agora é o 'faz tudo' lá do sítio, e dois bancos de suplentes acabadinhos de montar.

Jorginho é talvez o mais saudoso dos tempos em que Vidal Pinheiro se enchia de cor para ver o 'Salgueiral' jogar. "Era a nossa casa. Vivemos muita coisa boa lá. Bonito era que a nossa casa voltasse a ser em Paranhos. Mas assim também é bom para recomeçarmos", disse.

"A solução possível", para já

O trabalho no futuro Estádio do Cerco vai ser dividido em duas fases. A prioridade da direção e da SAD do Salgueiros é, segundo o presidente Pedro Santos, cobrir a bancada existente e acrescentar uma outra do lado oposto, esta amovível. Para 2019/20 fica já programada a substituição do relvado sintético, bem como a remodelação dos balneários e a criação das infraestruturas inerentes necessárias, como enfermaria, secretaria, entre outros.

Este 'presente' foi o passo para outros patamares, uma lufada de ar fresco que trouxe ao seio do grupo novas ambições."Foi a solução possível, mas, se um dia subirmos para os patamares profissionais, precisaremos de mais", disse Silvestre Pereira, presidente do clube que agora milita na divisão de elite da AF Porto. Um passo importante na vida conturbada do clube foi dado. Outros se seguirão e, na convicção de todos, regressarão "mais fortes".

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