Brasil usa velocidade e dribles para arrefecer o piripiri mexicano

Na melhor atuação de Neymar nos relvados da Rússia, brasileiros vencem por 2-0 e apuram-se para os quartos sem grandes sustos

No jogo em que Neymar apresentou tanto o melhor visual, como o melhor futebol no Mundial, o Brasil venceu o México por 2-0 em Samara e, ao contrário dos demais apurados até agora, garantiu a vaga nos quartos-de-final sem grandes sustos. Salvo por uma ligeira pressão azteca no primeiro quarto de hora, a seleção brasileira soube ter paciência para arrefecer o piripiri mexicano e impor uma forma de jogo mais próxima ao que se espera do escrete brasileiro, com velocidade e dribles.

O México começou a partida com mais ímpeto, acelerado pelo dínamo do FCPorto Herrera. Omnipresente em campo, o médio foi a síntese do esforço azteca, que mais uma vez não conseguiu diante do Brasil encarnar o espírito de luta em golos. Em cinco confrontos em Mundiais, foi a quarta derrota dos mexicanos (além de um 0-0), que nunca atingiram a malha brasileira. Tiveram o mérito, porém, de proporcionar a Alisson as duas primeiras defesas na Rússia - embora a FIFA não disponibilize essas estatísticas -, seguramente o guarda-redes que menos tocou na bola na competição.

De cabelos escuros e corte discreto, foi a vez do futebol de Neymar brilhar e chamar a atenção. Mais vertical do que nas últimas atuações, o avançado deu o tom da reação brasileira. Se nitidamente ainda não alcançou o zénite de sua performance, a maior estrela brasileira buscou as jogadas de perigo. Arriscou de fora da área e, dentro dela, soube driblar e exigir do guarda-redes mexicano uma defesa arrojada. Num raro lampejo de solidariedade, quando passou a bola de calcanhar para William, recebeu-a de volta para abrir o placar, aos 55' de jogo.

É importante citar novamente o nome de Willian. Uma espécie de holograma na fase de grupos - uma imagem no relvado, mas sem consistência - o meia soube reinventar-se contra os mexicanos, com arrancadas, dribles e até remates perigosos, quase o Willian que se vê no Chelsea. Uma boa notícia para Tite e para os adeptos brasileiros.

Quem ainda não teve a mesma sorte foi Gabriel Jesus, embora tenha tentado fazer diferente. O avançado teve duas chances claras. Na primeira delas, na única falha do eficientíssimo guarda-redes Guilhermo Ochoa numa saída da baliza, dominou a bola no peito e errou o remate praticamente dentro da pequena área. Na segunda, mostrou habilidade para limpar dois adversários e fuzilar Ochoa, o principal responsável para que placar final da partida não fosse multiplicado por dois ou por três.

Para piorar, Gabriel Jesus viu o seu principal concorrente fazer em praticamente cinco minutos o que não fez em 360: um golo. Menos previsível que de costume, Tite tirou Philippe Coutinho - na sua atuação mais discreta na Rússia - para a entrada de Roberto Firmino. Aos 88', após uma recuperação de bola no meio de campo, Neymar foi acionado. Ele avançou pela esquerda, tocou na saída de Ochoa e encontrou o pé firme de Firmino.

Jogos e resultados do dia:

Brasil - México (2-0)

Bélgica - Japão (3-2)

Ler mais

Exclusivos

Premium

nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

Premium

Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.