Jogadores ainda vão decidir se jogam Taça e rescisões estão em cima da mesa 

Grupo de adeptos de cara tapada agrediu Jorge Jesus e vários jogadores. Próximas horas prometem ser quentes

Está instalado o caos no Sporting, após uma tarde de alta tensão na Academia, em Alcochete, onde cerca de 50 adeptos de cara tapada agrediram jogadores - Bas Dost foi suturado com seis pontos na cabeça, o treinador Jorge Jesus e outros jogadores e elementos do staff também foram alvo da ira dos adeptos.

À hora de fecho desta edição, jogadores e técnico apresentavam, à vez, queixa contra terceiros na GNR do Montijo, enquanto alguns dos agressores estavam a ser interrogados nas instalações daquela força da autoridade em Alcochete. Na sequência de todos estes acontecimentos, não é certo que os jogadores se apresentem no domingo, no Estádio Nacional, para jogar a final da Taça de Portugal frente ao Desp. Aves. Esta é uma situação, sabe o DN, que poderá ser esclarecida hoje, uma vez que está previsto um comunicado do plantel leonino que poderá ser esclarecedor.

Fonte próxima do processo adiantou ao DN que até se pode dar o caso de os jogadores aceitarem jogar a final, mas para que isso aconteça poderão impor algumas condições - uma delas até poderá ser a continuidade de Bruno de Carvalho como presidente, pois consideram que o líder leonino é um dos responsáveis pelos acontecimentos de ontem, sobretudo devido às suas declarações nos últimos dias.

Outro facto que ao final da noite de ontem estava em cima da mesa, a conselho dos advogados, era a possibilidade de jogadores e equipa técnica avançarem com uma rescisão contratual em bloco alegando justa causa, por falta de condições psicológicas para desempenhar o seu trabalho. E, nesse sentido, um dos fundamentos que estão a ser ponderados é atribuir a autoria moral dos ataques a Bruno de Carvalho, por causa daquilo que disse nos últimos dias, nomeadamente numa entrevista ao Expresso.

Foi chato mas amanhã é um novo dia e temos de perceber que o crime faz parte do dia-a-dia e tem de ser punido no local certo

Casuals detidos no Freeport

Os cerca de 50 adeptos de cara tapada, identificados pelas autoridades como casuals invadiram a Academia, por volta das 17.00. Em passo de corrida, pediram aos jornalistas para baixarem as câmaras para que não fossem filmados. Ao contrário do que às vezes acontece em alturas de tensão, não havia policiamento à porta da Academia e no portão estava apenas um segurança do Sporting, que não teve qualquer possibilidade de evitar a invasão da Academia.

Depressa o grupo chegou ao balneário onde estavam os futebolistas. Viveram-se minutos de pânico, pois aqueles elementos surgiram munidos de barras de ferro, distribuindo agressões ao treinador Jorge Jesus (uma cabeçada) e a alguns jogadores, como Marcos Acuña, Battaglia e Bas Dost, entre outros.

O goleador holandês acabou por ser um dos mais maltratados, conforme documenta uma foto que surgiu na internet, na qual é possível constatar que o atleta tinha golpes nas pernas e na cabeça, onde foi suturado com seis pontos. "Não tenho palavras, estamos todos chocados. Foi uma ameaça real. Estou vazio, isto é um drama para todos", disse Bas Dost em declarações à edição online do jornal holandês Algemeen Dagblad (AD). O preparador físico Mário Monteiro e o médico Varandas Fernandes também ficaram mal tratados. Os agressores usaram barras de ferro e cintos.

Apesar da invasão ter durado pouco tempo, a verdade é que o cenário foi de terror. Segundo relatou Bas Dost ao AD, foi ele o primeiro agredido, acrescentando que Montero, Battaglia, William, Rui Patrício, Acuña e Misic foram os alvos seguintes. O cenário era de destruição, conforme documentou um vídeo publicado nas redes sociais. Os adeptos chegaram mesmo a acender tochas no balneário, criando uma nuvem de fumo que fez disparar os alarmes contra incêndios.

A GNR chegou ao local já depois da saída dos agressores, numa altura em que os jogadores permaneciam no balneário e alguns já tinham falado com os empresários e advogados, tendo mesmo Rui Patrício, capitão e delegado sindical dos leões, entrado em contacto com Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato de Jogadores.

Foi cerca de uma hora e meia após os incidentes que o presidente Bruno de Carvalho, acompanhado pelo team manager André Geraldes, chegou à Academia. E assim que o líder leonino entrou no balneário vandalizado, os jogadores saíram, recusando-se a falar com ele.

Nessa altura, a GNR recolhia provas e tomava conta da ocorrência no local, enquanto na zona de Alcochete outros operacionais procuravam encontrar os autores dos desacatos. Foi já perto das 19.00 horas que os agentes capturaram suspeitos perto do Freeport de Alcochete, que foram conduzidos ao posto da GNR de Alcochete, sendo que 21 ficaram detidos. Um dos suspeitos identificados, sabe o DN, é Fernando Mendes, antigo líder da claque Juventude Leonina. Este caso está entretanto já a ser investigado pelo Ministério Público.

A cenário de caos originou ao final da tarde um comunicado do Sporting, no qual o clube repudiou "de forma veemente" os incidentes e em que garantiu que serão tomadas "todas as diligências no sentido de apurar as responsabilidades pelo que aconteceu". A Liga e a Federação Portuguesa de Futebol também emitiram notas a repudiar os acontecimentos, que tiveram um grande eco na imprensa internacional.

Era já noite quando todos os jogadores, a conselho dos serviços jurídicos do Sindicato, e também o treinador Jorge Jesus se deslocaram ao Comando do Destacamento Territorial do Montijo para apresentar queixa contra os autores das agressões. Por essa altura, Bruno de Carvalho declarou à Sporting TV que estava a ser "um dia difícil", considerando que "o que aconteceu foi um ato criminoso", mas garantiu que os jogadores iam estar na final no Jamor. "Eles estão tristes mas querem jogar", disse, antes de resumir o dia: "Foi chato mas amanhã é um novo dia e temos de perceber que o crime faz parte do dia-a-dia e tem de ser punido no local certo."

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