Seferovic tinha um último truque guardado nas botas

Golo do internacional suíço já em período de compensação valeu ao Benfica uma vitória arrancada a ferros em Chaves. Antes disso, águias protagonizaram um festival de desperdício

O histórico deste Benfica dominador dos últimos anos mostra que um adversário nunca pode dar o jogo por controlado ou um ponto por garantido, dada a qualidade dos bombardeiros encarnados no ataque, capazes de marcar um golo em meia oportunidade. Para esta época, Rui Vitória conseguiu ainda adicionar o internacional suíço Seferovic a esse temível arsenal ofensivo. Ontem, em Chaves, o avançado ex-Eintracht Frankfurt foi providencial a resgatar o tetracampeão de apuros numa altura (aos 90+2") em que o mais provável já parecia ser um tropeção, logo à segunda jornada.

Num jogo em que o Benfica só submeteu completamente o Desportivo de Chaves à defesa da sua área na última meia hora, depois de permitir uma primeira parte muito repartida entre as duas metades do terreno, os encarnados até nem tiveram muitas dificuldades em criar oportunidades de golo. O problema foi, sobretudo, conseguir que elas caíssem nos pés dos seus jogadores mais letais: Jonas e Seferovic, os dois pedaços de ouro descobertos a "custo zero" no mercado nos últimos anos.

Na primeira parte, com o brasileiro muito apagado e o suíço algo isolado, o Benfica tentou viver maioritariamente de lançamentos longos para as costas da defesa flaviense, explorando sobretudo as diagonais de Salvio. Mas o que o argentino tem em mobilidade falta--lhe em eficácia e só pelos seus pés a equipa de Rui Vitória desperdiçou uma mão-cheia de ocasiões para chegar à vantagem (8", 18", 25", 32"...).

Nessa primeira metade, contudo, o Chaves não se limitou a assistir ao futebol dos encarnados e esticou bem o jogo, com a velocidade dos seus alas: Jorge Íntima, pela esquerda, e o leãozinho Matheus Pereira, que deu água pela barba ao veterano e sempre esforçado Eliseu (com um lance maravilhoso do extremo brasileiro, aos 22", a servir um remate acrobático de Galvão na área, mas à figura de Bruno Varela).

Na segunda parte, depois de Jorge Íntima (boa defesa de Varela, a marcar pontos) e Jonas (ao poste) terem ameaçado o golo de um lado e de outro no espaço de um minuto, aí, sim, o Benfica apertou o Chaves num colete junto à área, com Pizzi e Jonas mais interventivos na criação. As oportunidades foram-se sucedendo quase em catadupa (21 remates e 8 oportunidades claras, no final), mas a pólvora do campeão parecia seca desta vez. Até que, talvez na mais improvável das chances de golo, Seferovic sacou de um último truque e desviou de forma subtil o centro de Rafa, ao primeiro poste, fazendo a bola passar por entre as pernas de Ricardo.

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