Rui Costa: "O meu foco e o meu lema é ganhar"

Novo presidente interino no Benfica fez esta sexta-feira uma declaração sem direito a perguntas

Numa curta declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, Rui Costa frisou que a sua ascensão a presidente do Benfica cumpre os estatutos e apelou à união.

"Sou, a partir de hoje, presidente do Sport Lisboa e Benfica, na exata medida dos cumprimento dos estatutos do clube. Vou representar o nosso Benfica com o mesmo orgulho do que como vesti a camisola do Benfica pela primeira vez", afirmou esta sexta-feira, em pleno relvado do Estádio da Luz.

"Tudo darei de mim para fazer do clube cada vez maior. Os tempos são desafiantes, mas não de divisões. É tempo de nos unirmos pelo que é mais importante, o Sport Lisboa e Benfica", afirmou, apontando baterias à temporada 2021-22.

"As nossas prioridades são a preparação das épocas desportivas do futebol e das modalidades. O meu foco e o meu lema é ganhar", vincou, fazendo questão de sublinhar que, além de presidente, também é adepto.

"Saberei ouvir as mensagens as mensagens dos benfiquistas. Serei sempre um de vocês. Quero um Benfica forte, unido e trabalharei sempre para que isso aconteça", concluiu, numa declaração em que o nome de Luís Filipe Vieira não foi mencionado.

Rui Costa assumiu esta sexta-feira a presidência do Benfica, clube que representou como futebolista, por cinco épocas, e no qual assumiu funções de dirigente desde 2008, depois de o presidente, Luís Filipe Vieira, comunicar a suspensão de funções.

Face à detenção do responsável máximo dos 'encarnados' entre 2003 e 2021, enquanto suspeito na operação 'Cartão Vermelho', que motivou, esta sexta-feira, o anúncio da suspensão de funções com "efeitos imediatos", a direção das 'águias' reuniu-se e nomeou o antigo internacional português, de 49 anos, para o cargo.

Rui Costa vai assim liderar o emblema no qual cumpriu toda a formação de jogador, entre 1981 e 1990, e no qual se começou a evidenciar como sénior, entre 1991 e 1993, depois de um empréstimo ao então primodivisionário Fafe, na época 1990/91.

O ano de 1991 ficou gravado na sua carreira, já que coube ao então médio ofensivo de 19 anos marcar o penálti que deu a Portugal o segundo título mundial de sub-20, na final contra o Brasil (vitória por 4-2 no desempate por penáltis, após 0-0 nos 120 minutos), disputada perante 120 mil espetadores no antigo Estádio da Luz, a 30 de junho.

Após três temporadas em que venceu uma Taça de Portugal (1992/93) e um campeonato (1993/94) pelo Benfica, Rui Costa transferiu-se para a Fiorentina por cerca de três milhões de dólares - 2,5 milhões de euros sem contar com a inflação.

Juntamente com atletas como o guarda-redes Francesco Toldo e o avançado Gabriel Batistuta, o médio tornou-se uma referência do clube 'viola', tendo realizado 277 jogos oficiais e vencido duas Taças de Itália (1995/96 e 2000/01) e uma Supertaça (1996), em sete épocas.

Conhecido como 'maestro', Rui Costa jogou depois cinco temporadas pelo AC Milan, tendo-se sagrado vencedor da Taça de Itália e da Liga dos Campeões (2002/03), antes de vencer o campeonato (2003/04) e a Supertaça (2004).

O jogador regressou ao clube onde 'nasceu' para o futebol em 2006, tendo realizado 67 jogos pelos 'encarnados' nas duas últimas temporadas da carreira, marcadas por algumas lesões.

A par do trajeto realizado na I Liga portuguesa e na 'série A' italana, Rui Costa marcou 26 golos em 94 jogos pela seleção portuguesa, tendo disputado a final do Euro2004, que a equipa então treinada por Luiz Felipe Scolari perdeu para a Grécia (1-0), no Estádio da Luz.

Mal terminou a carreira de futebolista, em maio de 2008, Rui Costa tornou-se diretor desportivo do clube e mais tarde assumiu as funções de administrador da SAD liderada por Luís Filipe Vieira, tendo-se mantido nesse cargo até agora.

Após as últimas eleições do clube, realizadas em 29 de outubro de 2020, que Luís Filipe Vieira venceu com 62,6% dos votos, contra os 34,7% do segundo candidato mais votado, João Noronha Lopes, o ex-jogador foi pela primeira vez eleito para os órgãos sociais e tornou-se vice-presidente das 'águias'.

O empresário e presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, de 72 anos, foi um dos quatro detidos na quarta-feira numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado e algumas sociedades.

Segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) estão em causa factos suscetíveis de configurar "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais".

Para esta investigação foram cumpridos 44 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Um dos locais onde decorreram buscas foi a SAD do Benfica que, em comunicado, adiantou que não foi constituída arguida.

No mesmo processo foram também detidos Tiago Vieira, filho do presidente do Benfica, o agente de futebol Bruno Macedo e o empresário José António dos Santos, conhecido como "o rei dos frangos".

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