Liga tem novo patrocinador mas pode virar caso em tribunal

O órgão presidido por Pedro Proença negociou durante meses com a casa de apostas Betano, que oferecia 22 milhões de euros por quatro anos. Mas há cerca de um mês rompeu negociações e acertou com a concorrente Bwin. A Betano não se conforma e enviou carta aos clubes a contar todo o processo.

A Liga Portugal esteve nos últimos meses a negociar o naming sponsor para o principal campeonato de futebol - o acordo com a NOS termina no final desta época - e, segundo apurou o DN, já chegou a acordo com um patrocinador. Trata-se da casa de apostas desportivas online Bwin, que recentemente adquiriu a bet.pt, mas o processo que se arrastou nos últimos meses pode terminar em tribunal. Isto porque a Betano, outra casa de apostas desportivas que opera em Portugal, teve praticamente um acordo firmado com a Liga, inclusivamente já existia um memorando de entendimento, e à última hora queixa-se de ter sido afastada das negociações.

Os responsáveis da Betano (em Portugal patrocinam o Sp. Braga e o Marítimo) não se conformam com a atitude do órgão presidido por Pedro Proença em todo o processo, e disso mesmo deram conta através de uma carta enviada aos 18 clubes que atuam no principal escalão do futebol português, à qual o DN teve acesso, onde explicam todo o processo negocial até à rotura das negociações que envolviam o pagamento 22 milhões de euros durante quatro anos.

Na missiva a que o DN teve acesso, os responsáveis da Betano detalham que estiveram em negociações para assumir o naming da I Liga para um período de quatro anos, num acordo com o valor de 22 milhões de euros. Na mesma carta dizem que a Liga Portugal lhes comunicou no dia 3 de março que tinha aceitado as condições.

"Fomos convidados pelos representantes da Liga Portugal a iniciar a redação de um MoU [memorando de entendimento] delineando as condições comerciais acordadas e, como resultado das conversas entre as partes interessadas, enviámos uma versão do MoU no dia 23 de março e fomos informados de que devíamos esperar que a versão final fosse recebida de volta assinada na semana seguinte à Páscoa (5 a 9 de abril)", pode ler-se na carta enviada aos clubes.

Mas no dia 6 de março, contudo, o negócio ruiu. "Informaram-nos que, infelizmente e apesar das nossas conversas que duravam desde setembro de 2020, e de terem concordado com a nossa proposta e com a redação do MoU, não iriam consumar o acordo negociado e finalizado, pelo facto de, alegadamente, uma outra empresa ter acionado uma cláusula contratual de naming para patrocinar a Liga", lê-se na carta.

Uma justificação que, porém, não convenceu os responsáveis da Betano. "Ficámos profundamente chocados, pois nos últimos meses garantiram-nos que tinham feito verificações legais e que não existia nenhum direito contratual para o benefício de terceiros. E que mesmo os direitos da categoria de patrocinador de apostas, que estavam sujeitos a outro acordo de patrocínio, não seriam um obstáculo para a formalização do nosso acordo", recorda a Betano, que mesmo assim insistiu com a Liga, informando que estava disposta a aumentar a oferta dos 22 milhões de euros, apesar de esta ter sido aceite.

"Enganados" e ameaça por via legal

Contudo, no dia 7 de março, através de teleconferência, a Liga informou a Betano que "estava fora da mesa das negociações" e que "não estavam disponíveis para ouvir qualquer contraproposta nem para discutir mais o assunto". A Betano considera que, mesmo a existir a tal cláusula contratual, não podem deixar de se sentir "enganados" ao longo das negociações. "E caso não exista foi usada apenas como desculpa, e gera dúvidas sobre a razão de os representantes da Liga terem operado esta reviravolta, em que não só voltaram atrás como disseram não estar interessados em receber uma nova proposta da nossa parte."

A Betano diz mesmo que "tal como num jogo de futebol, às vezes ganha-se, outras vezes perde-se", mas lamenta o tratamento "estranho, pouco profissional e injusto" da parte da Liga. A casa de apostas informa ainda os clubes que continua disponível para formalizar um acordo de patrocínio, mas que caso não seja possível o assunto pode vir a ser discutido na justiça. "Posto isto, reservamos todos os nossos direitos legais, interesses e recursos que certamente decorram do nosso acordo de patrocínio negociado com a Liga Portugal e da conduta dos seus representantes".

Refira-se que a tal cláusula de preferência que a Liga alega estará relacionada com uma parceria feita com a bet.pt, em novembro de 2019, que na altura se tornou na casa de apostas exclusiva da Liga Portugal. A bet.pt, entretanto, foi comprada há uns meses pela GVC Holdings, uma empresa de apostas britânica, que antes já havia adquirido a Bwin em 2016 e a Ladbrokes em 2018.

A NOS era o patrocinador oficial da Liga desde 2014. Mas em maio do ano passado, a operadora informou que deixaria de o ser a partir do final desta época, coincidindo com o término do contrato. "Esta decisão resulta de uma avaliação que a empresa tem vindo a realizar há já alguns meses e da qual resultou a conclusão que, após sete épocas, o valor que esta parceria representava para ambas as partes e os objetivos que lhe estiveram subjacentes estarão totalmente atingidos", justificou na altura a empresa, que foi o naming sponsor exclusivo mais longo da história da I Liga.

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