Os sinais de esperança para Eduardo Berizzo

Técnico do Sevilha foi operado com sucesso a um adenocarcinoma da próstata. Nem sempre a doença leva a melhor e vários são os exemplos no futebol de quem ganhou essa luta

O argentino Eduardo Berizzo, antigo futebolista Newell's Old Boys, River Plate, Marselha ou Celta, clube que também treinou durante três épocas antes de rumar ao ambicioso projeto do Sevilha, recebeu aos 48 anos a notícia que mais de um milhão de homens recebe por ano (em 2012 foram diagnosticados 1,1 milhões de casos deste cancro, 70 por cento dos quais nas regiões mais desenvolvidas do globo): sofria de um adenocarcinoma da próstata.

Os relatos da Andaluzia contam que o antigo central terá dado conta do seu estado de saúde aos jogadores no intervalo do jogo da Liga dos Campeões com o Liverpool, quando perdiam por 3-0 em casa. O encontro terminaria empatado (3-3) depois de uma recuperação emocionante e histórica, com as más novas a serem reveladas no final da partida. Esta semana, o treinador foi operado com sucesso (comparativamente a outros cancros, o prognóstico é favorável, sobretudo se a sua deteção se der precocemente, sendo ainda assim a causa de morte de um terço dos homens com o diagnóstico estabelecido e uma evolução de cerca de dez anos, segundo informa o site da Associação Portuguesa de Urologia), não havendo todavia previsões para o seu regresso ao banco sevilhista - tudo vai depender da recuperação pós-operatória. Eduardo Marcucci, o seu adjunto que ficou como homem do leme, acredita que Berizzo vai regressar rapidamente: É um homem de trabalho e vai dar-lhe prioridade em relação à saúde. Mas vamos seguir o seu ritmo e esperar que este momento passe o mais rapidamente possível.

O exemplo Robson

A batalha é difícil mas não impossível de vencer, como já o provaram muitos outros no mundo do futebol - e em outros desportos, como é o caso do ciclista norte-americano Lance Armstrong. Sobretudo o inglês Bobby Robson, bem conhecido dos adeptos portugueses. O calvário do antigo treinador começou na altura em que orientava os holandeses do PSV Eindhoven, ainda antes de ser contratado pelo Sporting. Em 1992, prestes a fazer 60 anos, foi-lhe diagnosticado um cancro nos intestinos, que o obrigou a parar três meses; três anos depois, já no FC Porto, foi a vez de melanoma maligno o afastar dos relvados (Inácio e José Mourinho ficaram a tomar conta da equipa), uma vez que necessitou de tirar todos os dentes para os médicos escavarem um túnel no céu da boca. Ainda passou por Barcelona, PSV e Newcastle, antes de se retirar em 2004 - durante este período foi três vezes campeão (uma na Holanda, duas em Portugal), venceu duas Taças, duas Supertaças e uma Taça das Taças. Já reformado ainda driblou um cancro no pulmão e outro no cérebro, só sendo vencido à quinta batalha, com 76 anos.

Também Artur Jorge passou por um período difícil. Em 1994, antes de um jogo europeu do Benfica, o técnico foi internado de urgência por causa de um tumor cerebral. Filipovic e Neca asseguraram os seis jogos em que esteve indisponível, tendo saído durante a época seguinte . Ainda levaria a Suíça ao Euro'96, seria selecionador nacional e treinaria mais 10 clubes e seleções (como o PSG, Académica, CSKA Moscovo e Camarões) antes de finalizar a carreira na Argélia, em 2015. Conta 71 anos.

De Abidal a Petrov

Foi um dos casos mais mediáticos, até porque atuava no Barcelona. Em março de 2011, o clube catalão anunciava que o francês Éric Abidal padecia de um tumor no fígado e que seria operado dois dias depois. A situação não se resolveu e um ano volvido noticiava-se que o jogador teria de se submeter a um transplante do órgão, sendo um primo seu o dador. Em janeiro de 2013 estava de volta aos relvados, acabando por jogar mais dois anos. Retirou-se a meio de 14/15, ao serviço do Olympiacos.

Já Mono Burgos, atual adjunto de Simeone no Atlético Madrid, também passou pelo seu calvário perto do final da carreira de futebolista. Um cancro no rim deixou-lhe para sempre uma cicatriz de 35 pontos mas o antigo guarda-redes continua aí para as curvas, aos 48 anos, no banco colchonero.

Mais grave ainda foi a situação do búlgaro Stilyan Petrov. Em março de 2012, quando representava o Aston Villa, foi-lhe diagnosticada uma leucemia aguda. Sujeitou-se aos tratamentos e acabou por superar o problema embora tenha terminado a carreira no fim de 2012/13. Voltou a jogar, ainda assim, numa liga de veteranos e em 2016 tentou mesmo regressar aos villans, embora sem sucesso apesar de ter atuado num particular de pré-temporada. Tem 38 anos.

O ponto fraco

Antes, o seu compatriota Lubo Penev foi obrigado a falhar o Mundial de 1994. À época jogador do Valência, o avançado teve de parar por uns tempos, de modo a debelar um cancro no testículo esquerdo. Continuaria a jogar até 2002 e hoje em dia, aos 51, treina a equipa B do clube che. Não foi, todavia, o único a ter problemas nessa zona do corpo. José Molina, guarda-redes então ao serviço do Deportivo, padeceu do mesmo mal: perdeu quase uma temporada (02/03) mas recuperou completamente e continuou ativo nos relvados até 2007. Entretanto dedicou-se à carreira de treinador, com sucesso em Hong Kong e na Índia, e aos 47 anos está no México, a orientar o Atlético San Luis.

Tal como estes casos anteriores, o argentino Jonás Gutiérrez teve de interromper a sua passagem pelo Newcastle. Foi operado em outubro de 2013, antes de ser emprestado ao Norwich no ano seguinte. Acabou por ser dispensado dos magpies, para fúria dos adeptos, no final de 2014/15, tendo representado desde então os espanhóis do Deportivo, antes de regressar ao país natal, onde vestiu as camisolas do Defensa y Justicia e, aos 34 anos, do Independiente.

Mais recentemente, o basco Yeray Álvarez teve de abdicar da particpação no último Europeu de sub-21, depois de uma recaída da mesma maleita. O defesa de 22 anos está na reta final da sua recuperação, esperando-se que regresse no início de 2018. Um sinal de esperança, a mesma que deve guiar Eduardo Berizzo.

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