Miguel Cardoso, o perfecionista preparado na elite do Dragão

Com André Villas-Boas e Vítor Pereira no FC Porto deu os primeiros passos como treinador. Tirou a melhor nota do curso de IV nível e está a ter um início de sonho em Vila do Conde

Melhor estreia era impossível. Miguel Cardoso está a dar os primeiros passos como treinador principal no Rio Ave e hoje tem uma prova de fogo diante do Benfica. Ao fim de três jornadas, o técnico nascido há 45 anos na Trofa contabiliza três vitórias (é líder juntamente com os três grandes), nas quais os vila-condenses só sofreram um golo.

José Miguel Azevedo Cardoso é um apaixonado pelo futebol que começou como professor de educação física, tendo lecionado nas escolas Secundária da Trofa, Camilo Castelo Branco e ainda na EB 2/3 de Ribeirão. Nesse tempo, conta quem o conhece, chegou a dividir a atividade escolar com os bancos da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, onde se especializou em treino desportivo de futebol.

No final de curso abriram-se-lhe as portas do FC Porto quando, no âmbito de um protocolo entre as duas entidades, partilhou a sua tese em alto rendimento no futebol com Ilídio Vale, na altura coordenador da formação dos dragões. A sua forma de pensar e os seus métodos impressionaram o agora adjunto do selecionador Fernando Santos, que o convidou para o FC Porto. "Os universitários que se destacavam pela competência eram contratados pelo professor Ilídio Vale", conta ao DN um elemento da estrutura portista naquela época.

A partir de 1996 iniciou um percurso de formação como treinador, partilhando experiências com André Villas-Boas, Vítor Pereira, entre outros. Era uma espécie de elite a ser preparada para altos voos. Quem conheceu nesse tempo Miguel Cardoso recorda-o como um técnico "muito inteligente, organizado e de convicções fortes sobre futebol", algo que agradava bastante aos seus dois mentores, que foram lembrados pelo treinador do Rio Ave no dia em que se apresentou em Vila do Conde: Ilídio Vale e Costa Soares.

Foram nove épocas no FC Porto, onde desempenhou tarefas em todos os escalões, numa altura em que ainda era professor, até porque em termos financeiros não dava para viver apenas do futebol. Em 2004 foi desafiado para se tornar profissional. Durante três épocas foi adjunto de Carlos Carvalhal no Belenenses e Sp. Braga, e depois convidado por Domingos Paciência para integrar a sua equipa técnica, da qual fez parte durante seis temporadas: na Académica, novamente Sp. Braga, Sporting e Dep. Corunha.

A melhor nota do curso de IV nível

Pelo meio, em 2011, tirou o curso de IV nível. A par de Pedro Caixinha obteve a melhor nota (17,5 valores) do curso onde estiveram Hélder Cristóvão, Fernando Couto, Sá Pinto, Jorge Simão, Van der Gaag, entre outros. Micael Pereira, atualmente no Freamunde, foi um dos alunos e recorda uma pessoa "muito dedicada, que seguia uma linha de pensamento muito atual". "Já então indiciava que poderia vir a ser um bom treinador", disse ao DN.

No dia-a-dia de adjunto já mostrava qualidades que se destacavam. Que o diga o lateral Miguel Garcia, que em Braga trabalhou com Miguel Cardoso. "Quando treinava connosco a parte defensiva era muito perfecionista, muito chato nos exercícios, nada podia falhar e a verdade é que sofríamos poucos golos", revela o defesa, que o recorda como alguém "muito interventivo, com paixão e entusiasmo pelo jogo, além de uma enorme vontade de vencer". Tinha ainda uma relação "muito boa" com os jogadores.

Tudo isto é confirmado por Sérgio Vieira, que integrou as equipas técnicas de Sp. Braga e Sporting ao lado de Miguel Cardoso. "É um treinador capacitado nas diferentes áreas do treino e com uma grande inteligência emocional", assumiu, destacando que "sempre teve competências de braço direito".

Em 2013, Cardoso deu um novo passo na carreira ao ser convidado para coordenador da formação do Shakhtar Donetsk por Luís Gonçalves, atual diretor-geral do FC Porto, com quem conviveu nos tempos que esteve ao serviço dos dragões. Foram quatro anos na Ucrânia, onde também orientou a equipa B, a rampa de lançamento para um patamar mais exigente. O Rio Ave é, assume Sérgio Vieira, "apenas o ponto de partida" para uma carreira que diz poder ser de sucesso.

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