Aves faz história em dose tripla: Taça, Supertaça e Liga Europa

Com a conquista do troféu, a equipa nortenha ganhou o direito de jogar a Supertaça com o FC Porto em agosto e de se estrear nas competições europeias na fase de grupos da Liga Europa

O Desportivo das Aves conquistou pela primeira vez na sua história a Taça de Portugal, um resultado que vai permitir ao clube nortenho estar presente pela primeira vez na edição da próxima época da Liga Europa e também disputar a Supertaça (frente ao campeão FC Porto). A equipa orientada por José Mota tornou-se a 13.ª a vencer a prova rainha do futebol português e garantiu o 14.º triunfo de um dos chamados pequenos frente a um grande na final - foi o primeiro estreante a vencer a prova desde o Estrela da Amadora, em 1989-90.

A festa do Aves começou ainda em pleno Estádio Nacional, no relvado, e estendeu-se até ao balneário e mesmo à zona mista, onde Paulo Machado mostrou os seus dotes de cantor a entoar uma música de Quim Barreiros. À hora do fecho desta edição, a equipa ainda não tinha chegado a Vila das Aves, mas tinha prometida à chegada uma calorosa receção com milhares de adeptos.

Um dos grandes heróis da tarde foi o avançado Alexandre Guedes, eleito o melhor jogador da final pelos dois golos do Desportivo das Aves. "Jamais pensaria chegar às meias-finais, quanto mais chegar à final e ganhar. É uma alegria muito grande, mas quero agradecer aos meus colegas, sem eles nada disto seria possível", disse o atacante, que curiosamente foi formado no Sporting.

Outro dos protagonistas foi o guarda-redes Quim, que ontem, com a conquista da Taça de Portugal, e aos 42 anos, igualou a marca de Hugo, como segundo jogador do futebol português a vencer todas as competições profissionais (título da II Liga incluído).

"O primeiro herói não sou eu, são estes jogadores todos, após uma época difícil, e as pessoas da Vila das Aves. Tinha dito que tudo faria para que este clube pudesse continuar na I Liga, mas vencer a Taça de Portugal não entrava nos meus objetivos", reconheceu o antigo guardião do Benfica, garantindo que não guarda mágoa do facto de ter sido dispensado do clube da Luz por Jorge Jesus.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve ontem 22 pessoas nas imediações do Estádio Nacional, no Jamor, e interveio nas bancadas para tentar minimizar riscos. Num balanço feito no final da partida, o comissário da PSP Tiago Garcia explicou que a intervenção na bancada do Sporting, depois do segundo golo do Aves, aos 72 minutos, teve como objetivo minimizar riscos.

Segundo o comissário, "das 22 detenções, 14 foram por posse de artefactos pirotécnicos, cinco por ofensa à integridade física de agentes da autoridade e três por especulação (venda ilegal de bilhetes]". Tiago Garcia referiu ainda um pequeno conflito no qual adeptos do Sporting atiraram pedras a equipas de reportagem que se encontravam na praça da Maratona. Segundo o DN apurou, Fernando Mendes, antigo líder da claque Juve Leo que terá estado terça-feira na invasão da Academia de Alcochete, foi impedido pela polícia de entrar no estádio.

Marcelo Rebelo de Sousa, cuja presença esteve em dúvida na final mas que acabou por estar no Jamor (ao lado do primeiro-ministro António Costa), justificou a sua decisão com a necessidade de "reforçar a imagem do país no mundo" após os incidentes que ocorreram na Academia do Sporting. "Espero que essa imagem saia reforçada, para que a nossa seleção possa entrar no Campeonato do Mundo com a mesma ou mais força do que quando saiu de França campeã da Europa", afirmou o Presidente da República à chegada ao Jamor, reforçando que "Portugal, o desporto português, o futebol português não se confunde com aquilo que se passou esta semana".

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