A mágoa mistura-se com a esperança. Hoje - quase à mesma hora a que se inicia, na Croácia, mais uma edição do Campeonato da Europa de andebol, sem a presença de Portugal -, a seleção nacional começa a fase de qualificação para o Mundial 2019, com a ambição de regressar aos grandes palcos, de onde está ausente há 12 anos. "Queremos quebrar este jejum", assegura, ao DN, o selecionador Paulo Jorge Pereira, mesmo que esteja ciente das "enormes dificuldades" que a equipa das quinas terá pela frente..Portugal, que não marca presença em qualquer grande competição desde o Europeu de 2006, vai disputar a fase preliminar de apuramento para o próximo Campeonato do Mundo, de hoje a domingo, no Pavilhão Municipal da Póvoa de Varzim (com transmissão na TVI 24). Pela frente, a seleção nacional terá Chipre (hoje, 19.30), Kosovo (amanhã, 18.00) e Polónia (domingo, 18.00), com a certeza de que só o 1.º classificado da poule se apura para o play--off final de qualificação do Mundial (contra uma seleção saída do Campeonato da Europa). "Estamos a fazer um bom trabalho e queremos lá chegar", aponta o capitão da equipa portuguesa, Tiago Rocha..O desafio é de risco elevado. Enquanto Chipre e Kosovo parecem acessíveis à seleção nacional, a Polónia - 3.ª no Mundial 2015 e presente nas últimas 11 grandes competições, até falhar este Europeu - mete respeito. "Há muitos anos que não estava na fase preliminar", lembra Paulo Jorge Pereira. E "era o pior adversário que nos podia calhar", assume Tiago Rocha..No entanto, o poderio polaco não chega para abalar a confiança dos portugueses. Afinal, "será sempre preciso eliminar equipas boas" para garantir o regresso, como diz Tiago Rocha. E, desta vez, a seleção nacional pode contar com o fator casa. "Felizmente, a nossa administração conseguiu ganhar a primeira batalha, ao garantir a organização da fase preliminar. Será fundamental termos o público connosco e estou convencido de que vamos ter um apoio massivo", diz o selecionador. "Os portugueses têm estado sempre presentes nos momentos em que mais precisamos. Certamente vão ser o oitavo jogador nestas partidas (e, principalmente, contra a Polónia)", anui o capitão de equipa..A equipa das quinas inicia a fase de qualificação para o Mundial 2019 "com o moral elevado", como garante Tiago Rocha. Ao fim de quase três semanas de preparação, "focadas principalmente no alto rendimento defensivo e na eficácia no contra-ataque e nas transições ofensivas, e sempre a correr contra o tempo" - explica Paulo Jorge Pereira -, os sinais são positivos. No último jogo de preparação, terça-feira, em Avanca, Portugal venceu, por 30-25, a Argentina (que é considerada a maior potência pan-americana e derrotou a Polónia, no Torneio de Espanha, no início do mês). E tudo isso alimenta o sonho do regresso de Portugal aos grandes palcos.."Estamos no caminho certo"rui.O despertar da época de sonho do andebol nacional (1994-2006, com presenças em cinco fases finais de Europeus e três de Mundiais) foi traumático. "O desaparecimento da geração de ouro foi a razão mais evidente" para a quebra que se seguiu (12 anos de ausências de grandes competições), recorda Paulo Jorge Pereira. Mas não foi a única. Abalado por uma "guerra administrativa entre Liga e Federação" [que chegaram a manter dois campeonatos distintos] e pela "crise económica, que deixou os clubes em grandes dificuldades", o andebol nacional demorou a conseguir reerguer-se..Agora, "está a recuperar desse retrocesso", garante o selecionador. O investimento na formação vai dando frutos. E há cada vez mais atletas a jogar fora do país (é o caso de um terço dos 21 convocados para esta fase de qualificação): "somos todos bastante experientes em termos internacionais e o jogador português é mais respeitado lá fora", nota Tiago Rocha, que chegou esta época ao Sporting, após três anos no Wisla Plock (Polónia)..Assim, todos esperam que este Campeonato da Europa de 2018 - que hoje se inicia com os encontros Suécia-Islândia e Bielorússia-Áustria (17.15) a antecederem os duelos explosivos Croácia-Sérvia e França-Noruega (reedição da final do Mundia 2017) - seja o último que os portugueses têm de acompanhar pela televisão. "Tenho a sensação de que estamos mais fortes. É sempre preciso melhorar alguns aspetos, mas estou confiante. E quem gosta de andebol também sente que estamos no caminho certo", afiança, ainda, Paulo Jorge Pereira.."As perspetivas são bastante animadoras para o Europeu de 2020" [quando a competição será alargada de 16 para 24 seleções, facilitando o apuramento de equipas como Portugal", mas o selecionador prefere que o jejum termine um ano antes e num palco ainda maior: o Campeonato do Mundo, organizado conjuntamente por Alemanha e Dinamarca. "Seria bom conseguirmos um apuramento ainda antes desse alargamento, daria o devido reconhecimento internacional à progressão que o andebol tem tido em Portugal", aponta..No fundo, esse seria também o "prémio merecido para esta geração, pois é uma pena que muitos destes atletas, sempre disponíveis para dar tudo pela seleção, nunca tenham participado numa grande competição internacional", conclui Paulo Jorge Pereira. Para todos eles, chegou a hora da verdade.