"É igualzinho ao Seedorf... mas não falha penáltis"

Renato Sanches nunca escondeu a sua admiração pelo antigo médio holandês. Pierre Van Hooijdonk, ex-jogador do Benfica e da seleção laranja, vê claras semelhanças entre ambos. Elogia "Bulo"... mas critica Fernando Santos

Renato Sanches nunca o escondeu. A sua referência no futebol é Clarence Seedorf, antigo internacional holandês que encantou em clubes como Real Madrid, Inter ou Milan. Mas será o jovem português semelhante ao seu ídolo? O DN questionou Pierre Van Hooijdonk, ex-jogador da Holanda e do Benfica, sobre este tema. E a resposta não podia ser mais elucidativa: "É igualzinho...mas não falha penáltis".

O DN ligou a Van Hooijdonk e do outro lado as primeiras palavras que se ouviram foram: "Olá Portugal". A resposta sobre Renato Sanches e Seedorf também parecia na ponta da língua, pois nem esperou pelo fim da pergunta. "Sim, já ouvi falar que o Renato gosta muito do Seedorf. Se são semelhantes? Muito, muito mesmo. Lembro perfeitamente do Seedorf a jogar com 17/18 anos na seleção. Eu tinha uns 24/25. São iguaizinhos. A maneira de jogar é igual, a intensidade também. O Renato adora levar o jogo para a frente, tal como o Seedorf. Tem uma maturidade inacreditável para a sua idade. Seedorf era assim. Só encontro uma diferença. Ambos são corajosos e o Seedorf também não tinha receio em marcar grandes penalidades. Mas há a tal diferença. O Renato não falha penáltis!", começou por dizer Van Hooijdonk, salientando que acompanha desde o primeiro minuto a seleção portuguesa no Europeu. "Estou a fazer comentários para a TV e disse logo de início que Portugal era o principal outsider para vencer o Campeonato da Europa", garantiu.

Mas a conversa era sobre Renato Sanches, ou Bulo, como é conhecido. E, diga-se, o antigo avançado não poupou nos elogios:"Ainda me lembro do primeiro golo que ele marcou no Benfica, aquele de longe. Foi contra quem? Académica? Incrível. Não sou só eu que estou surpreendido, o mundo do futebol está. O Renato Sanches tem apenas 18 anos e um nível e uma intensidade de jogo comparável a um fora de série".

Carlo Ancelotti, futuro treinador de Renato Sanches no Bayern Munique, revelou que o médio português "é o melhor jogador do europeu". Van Hooijdonk não vai tão longe, mas coloca-o no onze ideal: "Percebo as palavras de Ancelotti, mas para o Renato vencer esse troféu tem de vencer o Europeu. Se o colocaria no meu onze? Sim, claro que sim. Ainda antes do Europeu disse na televisão que o escolheria para a melhor equipa do torneio.".

Apesar dos elogios unânimes a Renato Sanches, a verdade é que o jovem de 18 anos só no último jogo de Portugal foi titular. E isso é algo que o antigo futebolista do Benfica não percebe. "Depois do que fez logo no primeiro jogo [Islândia] percebeu-se que tinha de jogar. Dá algo novo à equipa, leva-a para a frente, sem medo, com a sua rebeldia", salientou o holandês, mostrando-se depois insatisfeito com a opção de Fernando Santos na segunda parte do jogo com a Polónia. "Como é que o pode colocar na direita encostado à linha, como? Queria que ele ajudasse Cédric a defender? Ok, mas Portugal estava ali para ganhar ou para empatar? Fernando Santos estava com medo? O Renato tem de jogar no meio, sempre. Ele leva uma equipa às costas, colocá-lo junto a uma linha é limitá-lo completamente. Não percebi a intenção de Fernando Santos. Tem medo da falta de maturidade do miúdo? Ele respondeu a isso ao querer marcar o penálti. Agora é fácil dizer que Fernando Santos optou por não correr riscos e acabou por ganhar. Mas ganhou na lotaria dos penáltis, onde também podia ter perdido", disse o holandês, que fica a torcer por Portugal no que resta do Campeonato da Europa.

"Como já disse, era o meu outsider favorito e acredito que podem atingir a final. Chegaram aqui com muita garra e sem jogar bonito. Têm jogadores para fazer muito mais. E se o fizerem nos próximos dois jogos podem perfeitamente vencer. Ronaldo pode fazer a diferença. Não está ainda ao seu nível, mas já merece vencer um torneio deste tipo. E Pepe? Já viu como está a jogar? Fantástico, imperial", concluiu.

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