Perfume marroquino espevitou uma águia sem grandes ideias

Os encarnados até começaram bem, com um golo logo aos quatro minutos, mas depois de sofrerem o empate desapareceram. A entrada de Carcela (apenas) aos 60" mudou todo o jogo

O Benfica sofreu ontem para vencer o Rio Ave em pleno Estádio da Luz e só nos últimos dez minutos de jogo garantiu os três pontos. Pelo meio houve novamente muita desorganização, falta de ideias e... assobios dos adeptos.

O jogo até começou por prometer para as águias, que aos quatro minutos já estavam a vencer com um golo de Jonas. Mas, pelo contrário, o 1-0 não deu tranquilidade aos comandados de Rui Vitória. O Benfica não passou a dominar o jogo e o Rio Ave acabou por ser premiado com o empate aos 13", num livre direto de Bressan, fruto da forma audaz como reagiu ao golo dos encarnados.

O Benfica, que se queixou de duas grandes penalidades por marcar no primeiro tempo, jogava à base das suas individualidades, sem grande criatividade e sobretudo de forma muito lenta. Criou apenas mais uma situação de golo, por Pizzi, aos 19", até ao descanso, também por culpa dos vilacondeses, muito bem organizados no setor mais recuado.

Era claro que faltava alguém que agitasse o jogo das águias, que muito sentem a falta de Nico Gaitán (lesionado). Rui Vitória, contudo, optou por ser conservador e ao intervalo deixou Samaris - amarelado, correu mesmo o risco de ser expulso perto do final da primeira parte mas o árbitro poupou-o ao segundo cartão - no banco e fez entrar Fejsa. Demorou até aos 60", já depois de nova queixa de nova grande penalidade por marcar, para agitar então o futebol encarnado, com a entrada de Carcela.

O internacional marroquino espevitou o futebol encarnado bem mais do que Gonçalo Guedes. Realce-se que o jovem internacional português voltou a ter um jogo para esquecer e dá cada vez mais razão aos críticos que apontam o seu lugar no onze a... Carcela. Houve então mais profundidade por parte dos encarnados, velocidade e acima de tudo algumas ideias para destrancar a defesa do Rio Ave, que ontem no segundo tempo optou por tentar controlar o empate.

O Benfica instalou-se na grande área do Rio Ave na última meia--hora e Carcela foi decisivo, ao encontrar a cabeça de Jonas aos 81" num cruzamento da direita, jogada que fez os mais de 45 mil adeptos saltar nas bancadas e por momentos os assobios deram lugar aos aplausos.

Os encarnados estavam claramente melhores, mais móveis na frente, até porque também pouco depois de Carcela entrar Rui Vitória tirou Mitroglou e fez entrar Raúl Jiménez e, dois minutos volvidos, o internacional mexicano, isolado por Jonas, acabaria por matar o jogo, fazendo o 3-1 num remate à saída do brasileiro Cássio.

Uma vitória merecida, que até poderia ter sido mais avolumada nos instantes finais, quando Pizzi atirou à barra e o árbitro anulou um golo de Jiménez em fora-de-jogo, lances que não disfarçam as lacunas do Benfica, sobretudo na hora de criar, e a falta que Gaitán faz ao bicampeão nacional.

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