Exclusivo Chapéus de sangue. A moda do século XIX dizimou milhões de aves

O século XIX, início do século XX, assistiram à mortandade e declínio de inúmeras espécies de aves. A moda dos chapéus ornados de penas, plumas e aves empalhadas alimentou uma indústria e comércio ávidos por matéria-prima. Em defesa da preservação das espécies ergueram-se vozes femininas.

Um bloco de gelo com perto de 140 quilos preservou o corpo de Martha na viagem ferroviária de 600 quilómetros, empreendida entre Cincinnati e Washington, onde seria entregue à ciência. Uma razão pesava na empresa de transportar para os museus do Smithsonian uma pomba-passageira que recebeu o nome da primeira-dama dos Estados Unidos, Martha Washington. A ave columbiforme que morrera a 1 de setembro de 1914 no jardim zoológico de Cincinnati, era o último exemplar de uma espécie considerada, um século antes, como a mais abundante dos Estados Unidos. No início da 1800, perto de cinco mil milhões de Ectopistes migratorius pululavam nos céus norte-americanos.

Na época, considerava-se uma impossibilidade extinguir a população de pombos que tingia de cinza o horizonte em frequentes migrações. O naturalista e ornitólogo John James Audubon arriscava afirmar que nenhuma espécie de ave norte-americana seria conduzida à extinção. Com alguma ingenuidade ou ignorância, cria-se na autoperpetuação das espécies, independentemente da pressão a que fossem sujeitas. A desflorestação, a degradação de ecossistemas, a urbanização e a caça, ditaram a sorte dos pombos-passageiros. Em 1901, era abatido o último exemplar selvagem. Alguns exemplares foram mantidos em cativeiro.

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