Carlos Costa rejeita que o Banco de Portugal possa vir a vender as suas reservas de ouro para financiar a economia, e afasta-se da solução criada para Chipre. . O governador do Banco de Portugal garante que as reservas de Ouro portuguesas vão manter-se em volume e apenas variar consoante a valorização deste metal precioso, tal como "resulta da política do Eurosistema". . "As reservas de ouro são 382,5 toneladas, não esperamos que diminuam, constituem um capital credível muito importante e parte do capital que o Banco de Portugal utiliza para fazer face ao seu balanço", afirmou Carlos Costa, hoje na apresentação do Relatório de atividade e contas da Instituição. . Na semana passada, o Financial Times anunciou que o governo de Chipre vai vender reservas de ouro no valor de 400 milhões de euros para ajudar a financiar o resgate financeiro. Esta ação abre um precedente na zona euro já que, segundo o mesmo jornal, é a primeira vez desde 1997 que um país intervencionado recorre à venda do metal precioso para se financiar. . Carlos Costa afirma que "o Banco de Portugal está entre os Bancos centrais mais bem provisionados o que advém em parte das reservas de Ouro" e sublinha que "o que aconteceu em Chipre, entre muitas outras coisas, não pode ser replicado em Portugal". . Como ficou hoje conhecido, as reservas de ouro do Banco de Portugal valiam, no final do ano passado, 15.509 milhões de euros, o que representa mais 545 milhões de euros do que no final de 2011. O Banco de Portugal lembra que as reservas de ouro mantiveram-se inalteradas em 2012, nas 382,5 toneladas, ainda que a desvalorização do euro explique a perda de valor do metal. O preço em dólares do ouro aumentou quase 6%, enquanto em euros avançou apenas 3,6%. De qualquer forma também se verificou uma desvalorização global do preço deste metal, fazendo com que as reservas nacionais estejam a perder valor.