Ministro destaca papel de Maria Isabel Barreno na defesa dos direitos das mulheres

"A riqueza do seu pensamento e o rigor dos seus princípios em muito contribuíram para termos hoje uma sociedade mais justa, livre e igualitária", salienta Luís Filipe Castro Mendes

O Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, destacou hoje a "voz ativa" de Maria Isabel Barreno, escritora hoje falecida, aos 77 anos, na defesa dos direitos das mulheres.

Numa nota de pesar divulgada pelo gabinete do ministro da Cultura, pela morte de Maria Isabel Barreno, o responsável recordou que a escritora nasceu em 1939, "num regime opressor".

"A riqueza do seu pensamento e o rigor dos seus princípios em muito contribuíram para termos hoje uma sociedade mais justa, livre e igualitária", salienta Luís Filipe Castro Mendes na nota de pesar.

A escritora e investigadora Maria Isabel Barreno é co-autora, com Maria Teresa Horta, e Maria Velho da Costa, da obra "Novas Cartas Portuguesas", uma das mais perseguidas pelo regime do Estado Novo.

Nascida em Lisboa a 10 de julho de 1939 e licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a feroz defensora dos direitos das mulheres ficará para a história como uma das "Três Marias", nome por que ficou conhecido o processo em que foram julgadas, durante o Estado Novo, pela escrita da obra de alegado "teor pornográfico", publicada em 1971.

Ao fim de mais de dois anos, o julgamento, acompanhado de perto pela imprensa internacional, terminou com a absolvição das três escritoras, já após a Revolução de 25 de Abril de 1974, e a obra passou a ser encarada não só como um tratado sobre os direitos das mulheres em Portugal mas, mais que isso, como "um libelo contra todas as formas de opressão", como a descreveu a escritora Ana Luísa Amaral em 2010, quando a obra foi reeditada pela Sextante, com anotações suas.

Trabalhou no Instituto Nacional de Investigação Industrial, foi jornalista e Conselheira Cultural para o Ensino do Português em França e publicou 24 títulos, entre romance e investigação na área da Sociologia.

Recebeu diversas distinções, entre as quais o Prémio Fernando Namora, pelo romance "Crónica do Tempo" (1991), e o Prémio Camilo Castelo Branco e o Prémio Pen Club Português de Ficção, pelo livro de contos "Os Sensos Incomuns" (1993), e em 2004 foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

"Vozes do Vento", sobre a história dos antepassados do seu pai em Cabo Verde, foi o último romance que publicou, em 2009, após uma pausa de 15 anos na escrita durante a qual desenvolveu atividades noutros campos artísticos, nomeadamente as artes plásticas, com várias exposições de desenho e tapeçaria. Depois, em 2010, editou ainda o livro de contos "Corredores Secretos (seguido de "Motes e Glosas")".

Maria Isabel Barreno será cremada no domingo, às 17:00, no cemitério dos Olivais.

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