Nuno Centeno entre os melhores galeristas da Europa

Sonhou ser artista mas percebeu que seria melhor a dar visibilidade a outros artistas. Aos 37 anos, Nuno Centeno, um dos fundadores da Galeria Múrias-Centeno, está na lista da ArtNet dos dez mais influentes negociadores de arte europeus

A Art Net, plataforma digital dedicada às artes visuais, colocou-o na lista dos dez mais influentes negociantes de arte contemporânea da Europa. Nuno Centeno, 37 anos, galerista do Porto, não esconde a satisfação pelo reconhecimento.

Filho do pintor Sobral Centeno, Nuno cresceu entre conversas e jantares com artistas e talvez por isso tenha naturalmente começado a desenhar, a pintar, a fazer fotografia. Aos 20 anos decidiu ir para o Rio de Janeiro estudar artes visuais. "Sair daqui era muito importante. Queria viajar, conhecer o mundo, ter outras experiências. Além disso, sempre fui muito protegido, queria saber se conseguia desenrascar-me sozinho", conta. Conseguiu, claro. Durante seis anos esteve fora - Rio de Janeiro, Londres, Berlim, Amesterdão. "Trabalhei em restaurantes, bares, lojas, fiz de tudo um pouco. Esta foi a minha grande escola. Conheci muitas pessoas diferentes, artistas e não só." Ser curioso é talvez uma das suas maiores qualidades.

Quando regressou ao Porto, rapidamente deixou de lado o sonho de ser artista. "Não foi uma desilusão. Pelo contrário, foi uma realização. Achei que seria mais interessante viver os vários estilos de arte através dos outros. Ser galerista permitia-me trabalhar com arte e com artistas e também ter um negócio, que era algo que eu gostava. Percebi: é isto que quero. Fazer o que eu faço é um privilégio."

A sua primeira galeria, a Reflexus, abriu em 2007. Caiu-lhe a crise em cima mas não desanimou. Pelo contrário. "Achei que era uma oportunidade. Só tinha de trabalhar, trabalhar muito." Aquele era o momento para mudar um pouco o modelo do galerista que existia em Portugal. "Havia uma informalidade lá fora com que eu me identificava, eu era mais novo e trabalhava com artistas da minha idade. Estávamos todos a começar. Isso foi muito importante." Nesses primeiros tempos, Nuno fazia tudo. Organização, montagem, desmontagem, venda. "Foi o que me deu as ferramentas que tenho hoje."

Percebeu que o mercado nacional não iria ser suficiente, teria de ir para fora e estar atento aos mercados. "Os primeiros anos foram uma loucura, entre o Porto e Londres, cheguei a montar seis exposições num mês." Pouco depois, a galeria haveria de ter o seu nome e mudar-se para a Rua Miguel Bombarda, no Porto. E em 2014, após uma parceria com Bruno Múrias, a Galeria Múrias--Centeno passou a ter também um espaço em Lisboa, na Rua Capitão Leitão. Com 12 artistas - incluindo Carla Filipe, Secundino Hernández, Gabriel Lima, Dan Rees e Max Ruf - diz que a aposta neste momento é no crescimento: "Somos uma galeria jovem que já se estabeleceu. Agora, queremos ser maiores, mais profissionais, mais preparados."

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