Academia dos Óscares reage à era MeToo: 49% dos novos membros são mulheres

Academia de Hollywood convida para seus membros número recorde de mulheres e de não brancos

A atriz francesa Léa Seydoux, a argelina Sofia Boutella, a britânica Daisy Ridley (a Rey de Star Wars) ou a alemã Diane Kruger fazem parte de um número recorde de mulheres que vai entrar na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

A instituição que entrega os Óscares havia prometido diversificar a origem dos seus membros. Agora, ao anunciar a entrada de 928 novos membros, informou que são provenientes de 59 países e que 49% são do sexo feminino, o que faz subir a presença feminina de 25% para 31% no espaço de três anos.

A Academia respondeu também às críticas de falta de diversidade étnica que a atriz Jada Pinkett Smith ou o realizador Spike Lee tinham denunciado em 2016 ao boicotarem a ida à cerimónia da entrega dos Óscares.

Em resposta, a presidente da Academia, a afro-americana Cheryl Boone Isaacs declarou-se "desconsolada e frustrada", reconheceu a "falta de inclusão" da instituição fundada em 1927, e que o processo de entrada iria ser revisto.

O processo de recrutamento da Academia regia-se pela exclusividade. A entrada fazia-se através de recomendação de dois membros. A exceção acontecia quando o profissional era nomeado para um Óscar e ficava de forma automática habilitado a entrar.
Em 2013 o Los Angeles Times revelou que 93% dos membros da Academia eram brancos e 77% do sexo masculino.

Entre os novos membros da Academia, destaque para os músicos Kendrick Lamar, o brasileiro Carlinhos Brown ou o britânico de origem indiana Nitin Sawhney, a atriz de 14 anos Quvenzhané Wallis, a libanesa Nadine Labaki, o humorista Dave Chappelle ou os realizadores franceses Michel Gondry e Laurent Cantet e a produtora Sylvie Pialat.

Em dezembro do ano passado a Academia adotou um código de conduta em resposta ao escândalo Harvey Weinstein e, além do produtor, expulsou o ator Bill Cosby e o realizador Roman Polanski. Curiosamente, a mulher do cineasta francês de origem polaca, a atriz Emmanuelle Seigner, foi convidada a entrar na Academia.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.