Ano Áustria na Casa da Música abre com a "Sétima" de Bruckner

Michael Sanderling dirige esta noite a Sinfónica do Porto na mais famosa sinfonia do austríaco. Festival de dez dias marca início, com entrada livre entre os dias 18 e 21.

"Sinto uma honra especial por abrir uma temporada com esta dedicação [à Áustria] à frente de uma orquestra, à qual me une uma já bonita tradição com cinco anos", afirma o maestro alemão Michael Sanderling. Mas, continua, "a responsabilidade é como a de qualquer outro concerto: enquanto intérpretes, é sempre nosso dever sermos profetas e tornarmos clara a mensagem das obras que dirigimos."

O concerto de hoje marca o arranque da temporada 2018 da Casa da Música (CdM) e a "festa" de inauguração dura dez dias. Até dia 21, haverá sete concertos, mais dois de cariz educativo/familiar, sendo que de 18 a 21 é tempo de Casa Aberta, com várias iniciativas, todas de entrada livre.

Voltando ao concerto desta noite, ele marca ainda o início da integral das sinfonias de Anton Bruckner, um dos grandes eixos da programação. Em conversa com o DN, Sanderling explica que "todas as sinfonias dele são obras-primas e cada uma tem a sua história, a que acresce o facto de haver diferentes versões de várias delas". Não é o caso da Sétima: "É certo. Mas esta é a única que pede 4 tubas wagnerianas, o que está ligado à dedicação da obra a Wagner que Bruckner fez, quando - ele que venerava Wagner - soube da sua morte."

Segundo considera, "Bruckner já se tornou, e com justiça, um autor standard do repertório e é hoje admirado em todo o mundo, mormente por aqueles que amam a vertente harmónica da música, a opulência da escrita e que reconhecem ali a devoção - e nos tempos atuais é bom haver algo assim a que nos devotemos".

Sobre o pai [Michael é filho de Kurt Sanderling (1912-2011), grande maestro do século XX] diz que "tinha uma relação muito estreita com Bruckner, embora dirigida a três obras específicas: a 3.ª, 4.ª e 7.ª sinfonias. Já no final da vida, com mais de 90 anos, estudou intensamente a 9.ª, mas nunca a chegou a dirigir."

Michael é desde 2011 titular da Filarmónica de Dresden e já anunciou que sairá após a temporada 2018-19: "Acho que 8-9 anos é o tempo indicado para, quer eu, quer a orquestra experimentarmos algo novo, se não corre-se o risco de estagnação, de cristalização das leituras." Não se sabendo (ainda) de nenhum posto futuro, resume assim o que deseja fazer: "Quero apenas dirigir boas orquestras em bonitas salas com obras fantásticas. Se a isso estiver ligado um posto fixo, tudo bem. Se não estiver, tudo bem também." Uma coisa antecipa: "Penso que irá certamente aumentar a parcela da ópera na minha atividade, até aqui muito reduzida por meu próprio desejo."

Fala com particular apreço do "ciclo das sinfonias de Shostakovitch e Beethoven que estou a fazer com eles [Dresden] e que sairá, tudo indica, em maio de 2019 em formato box." E a coincidir com a sua última temporada em Dresden, acontecerá a estreia com a Filarmónica de Berlim: "É verdade, mas isso querem ser eles [Berlim] a divulgar. Só posso dizer que irei dirigir uma obra com a qual estou muito identificado"

Até final de 2018, Michael Sanderling regressará ao Porto para dirigir a n.º 2 de Bruckner e a n.º 6 de Mahler: "O Bruckner era um grande desejo da Casa da Música e a Sexta era um grande desejo meu. Por isso, foi fácil entendermo-nos [risos]." Diz ser "com muito gosto" que vem ao Porto: "Encontro aqui um ambiente tranquilo, uma orquestra que toca com prazer e que está disposta a despender o tempo que necessário fôr em ensaios para o melhor resultado possível. Por isso, claro que espero poder continuar esta associação". Particular elogio lhe merece a secção de metais: "É excecional! E é raro encontrar um naipe desta qualidade nas orquestras do Norte da Europa."

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