Chegou uma mulher do outro mundo

Na quinta-feira, 1 de junho, está nas nossas salas "Mulher Maravilha", o primeiro filme dedicado inteiramente à personagem da DC Comics.

Estava-se à espera dela. Depois da ponta solta deixada pela presença em Batman vs. Super-Homem: O Despertar da Justiça, a Mulher Maravilha tinha de ter um filme com nome próprio. A chegar às salas portuguesas na quinta-feira, 1 de junho, este surge imbuído de expectativas em relação ao futuro do universo DC Comics, ultimamente voltado para um tom mais sombrio, que tem corrompido a fantasia essencial das narrativas de super-heróis.

Patty Jenkins, realizadora conhecida por Monstro (2003), uma primeira longa-metragem que deu o Óscar a Charlize Theron, é o nome à frente do novo projeto. Alguém que, em atenção a essa necessidade de recuperar uma original veia mágica - como disse em várias entrevistas, inspirada no Super-Homem (1978) de Richard Donner - trabalhou no sentido mais prístino, o de levar o espectador a acreditar que "um homem pode voar". No caso, uma mulher, que ultrapassa os padrões da humanidade... De qualquer modo, é uma tarefa difícil na era dos prodígios digitais. Ainda nos deslumbramos?

Mulher Maravilha é a história das origens desta super-heroína, que cresceu numa ilha paradisíaca, separada da realidade terrena. Ela é Diana de Themyscira, princesa das amazonas (uma nação de mulheres guerreiras da mitologia grega), mais conhecida como Diana Prince. Treinada com todo o rigor para uma situação de guerra, a sua primeira proeza consistirá em salvar um homem que cai literalmente do céu, nas águas que circundam a ilha.

Com ele vem o chamamento da guerra. A I Guerra Mundial, a decorrer do outro lado da barreira invisível que divide aquele paraíso helénico da realidade dos homens. E é para lá que Diana segue, impelida pelo cândido desejo de pôr fim ao conflito armado e assim restituir a pureza aos corações humanos. Nessa jornada voluntária, vai descobrir os seus verdadeiros poderes e trocar mais do que um olhar especial com o piloto desastrado que resgatou da avioneta despenhada.

Gal Gadot (adequadíssima na armadura de guerreira, mas não só) e Chris Pine protagonizam este casal improvável, que confere uma invulgar ternura romântica ao filme. Afinal, é através dessa linha dramática, destinada a ser também veículo de algum humor, que podemos respirar dos excessos épicos de Mulher Maravilha: basta que a heroína dê três passos e logo se agravam as notas musicais, para sublinhar a bravura de um corpo feminino em pose de combate.

Naturalmente, essa imagem vigorosa é explorada ao máximo, e em todos os ângulos possíveis (por vezes, sem imaginação nenhuma), tornando-a pouco distinguível dos demais super-heróis. Mas é verdade que o seu gracioso charme feminista, aliado à pureza de intenções, traz qualquer coisa de refrescante para o universo exaurido da DC Comics.

A completar 76 anos de existência

Sendo um dos membros fundadores da Liga da Justiça, criada nos anos 1960, ao lado de heróis como Batman, Super-Homem ou Aquaman, a Mulher Maravilha surgiu pela primeira vez na banda desenhada em dezembro de 1941. Uma aventura inaugural na All Star Comics n.º 8, escrita pelo psicólogo William Moulton Marston (usando o pseudónimo Charles Moulton), com desenhos de H.G. Peter, que rapidamente teve continuidade no n.º 1 da Sensation Comics (janeiro de 1942). O sucesso escalou de tal forma que, em maio do mesmo ano, deu azo à existência de uma revista própria: Wonder Woman (transferida para a DC Comics em 1944).

A partir daí veio o fascínio da televisão, que resultou em mais tentativas do que casos a reportar, como a série homónima (1975-79) protagonizada por Lynda Carter. Nas séries animadas o destino foi semelhante, com participações em alguns episódios da Liga da Justiça. Apenas o cinema de animação conseguiu manter e reforçar a presença deste ícone feminino da banda desenhada.

Mulher Maravilha de Patty Jenkins é, assim, o primeiro filme inteiramente dedicado à personagem que, nestas lides de franchise, se faz seguir, ainda neste ano, por Liga da Justiça, de Zack Snyder, a apostar na imagem de equipa. E cá se vai andando, em permanente déjà vu.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG