Uma Aliança em transformação  

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A NATO está entre a espada e a parede e foi obrigada a uma transformação da postura e do discurso. "Queremos aproximar a Ucrânia da Nato", disse ontem Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, mas sem se pronunciar ou comprometer com uma data de entrada daquele país na Aliança. Volodymyr Zelensky, o líder ucraniano, diz-se desiludido e endereçou várias perguntas à NATO, mas esta sabe que tem de dar passos cautelosos para não desencadear uma Terceira Guerra Mundial.

A Ucrânia terá de fazer o seu caminho. Para já, não há propriamente um guião de entrada para a Ucrânia na Aliança, uma vez que ainda é preciso que os membros da NATO concordem sobre esse guião e com uma data. O Ocidente sabe que a Aliança Atlântica não pode estender o convite à Ucrânia já, em plena guerra, porque isso arrastaria os aliados para um conflito direto com a Rússia. "Vamos convidar a Ucrânia quando os aliados concordarem e assim que as condições estiverem reunidas", afirmou Jens Stoltenberg.

Primeiro é preciso encontrar a paz, mas não só. Para o Ocidente, e para a NATO em particular, também é necessário saber que país será a Ucrânia depois da guerra? Se vai ser ou não um país democrático? Se vai respeitar o Estado de Direito? Se será uma nação com instituições independentes e democráticas? Se zelará pelo combate à corrupção e ao crime? São muitas as perguntas e também as respostas que não têm data marcada no calendário.

Em pleno conflito, os aliados não vão abandonar o povo ucraniano e o apoio vai continuar. Há vidas a salvar. Zelensky não sai de mãos a abanar da Cimeira da Nato, que está a acontecer na Lituânia até hoje, mas também não sai de mãos cheias, como pretendia. A França e a Alemanha vão avançar com grandes pacotes de ajudas, a Espanha e os Estados Unidos também. Contudo, nada será acelerado de forma precipitada, mas sim "quando as condições estiverem reunidas", reforçou o secretário geral da NATO.

Proteger-se a si mesma, enquanto Aliança Atlântica, também é obter uma vitória, dizem os ensinamentos históricos. E convém nunca esquecer o que nos ensinou Sun Tzu, na obra A Arte da Guerra: a vitória é o principal objetivo na guerra, mas o verdadeiro propósito da guerra é a paz.

Diretora do Diário de Notícias

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