Um megaevento para promover o desporto nas universidades

Em Coimbra, tenta-se incentivar a prática desportiva, à boleia dos Jogos Europeus Universitários, a maior competição realizada em Portugal, com o apoio do Santander
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Para uns, pode ser um meio para "tirarem um curso e conhecerem o mundo, como de outra forma não conseguiriam"; para outros, um caminho para assegurarem "a capacidade de sacrifício, a determinação e a disciplina que os podem ajudar a obter sucesso profissional"; para todos, uma garantia de "saúde, qualidade de vida e bem-estar". Ainda assim, a prática desportiva regular (é disso que se fala) não é tão frequente como o desejável entre a maioria dos estudantes de ensino superior em Portugal. Fazê-la aumentar é um dos objetivos da Universidade de Coimbra, à boleia do maior evento desportivo multidisciplinar alguma vez realizado em Portugal, com o apoio do banco Santander: a cidade dos estudantes acolhe os Jogos Europeus Universitários (EUG, na sigla original, em inglês) entre 13 e 28 de julho.

É Mário Santos, secretário-geral do comité organizador dos EUG e coordenador do Gabinete do Desporto da Universidade de Coimbra (UC), quem aponta, ao DN, as vantagens da atividade física e prática desportiva regular entre os estudantes universitários. "Portugal está na cauda da Europa ao nível da prática desportiva. Os índices já são baixos e ainda decaem quando os jovens entram para a universidade", explica o responsável. Por isso, "permitir que os melhores atletas possam continuar a treinar e competir", depois de entrarem para o ensino superior (conciliando as duas atividades), é uma das obras que a organização dos Jogos Europeus Universitários de 2018 gostaria de deixar em Portugal.

Em causa está "o maior evento multidesportivo alguma vez realizado no país", juntando 4000 atletas de 40 países, em provas de 13 modalidades (ver à direita). Além do legado material - Estádio Universitário de Coimbra e pavilhões adjacentes renovados (após terem recebido obras no valor de cinco milhões de euros, agora em fase de conclusão ) -, Mário Santos aponta ao "legado imaterial" da competição: "Promover o desporto como um dos fatores principais do processo de formação dos estudantes", com o objetivo de aumentar o número de praticantes e de evitar o abandono precoce dos jovens talentos que entram no ensino superior - uma causa à qual se associa também o Santander.

No caso dos atletas de alta competição, a saída é a carreira dual - que permite a conciliação das duas atividades. "A estratégia tem sido criar condições para que os atletas de alto rendimento aqui possam estudar e treinar, e para que as federações possam usufruir das várias áreas de conhecimento da universidade que se relacionam com o desporto (Farmácia, Medicina, Engenharia...). A maior parte dos atletas das seleções nacionais de canoagem e remo estudam em Coimbra, com a natação estamos a iniciar esse processo, e queremos alargá-lo a outras modalidades", exemplifica o coordenador do Gabinete do Desporto da UC.

Bolsas para jovens talentos

No entanto, "treinar e estudar [em simultâneo] é muito difícil, também em termos económicos", como admite Mário Santos, que foi presidente da Federação Portuguesa de Canoagem e chefe de missão de Portugal nos últimos Jogos Olímpicos (Rio 2016). "É possível que, para compatibilizar o estudo e o treino, se leve mais um ano a completar o curso, se tenha mais gastos em equipamento e material de treino...", exemplifica o responsável. Por isso, para amparar os atletas e evitar o abandono precoce de potenciais talentos, a Universidade de Coimbra planeia avançar "no próximo ano letivo, fruto de uma parceria com o banco Santander", com a oferta de bolsas de estudo "específicas para atletas, dentro de uma lógica de mérito desportivo e académico".

"A ideia não é simplesmente dar dinheiro a um atleta que tem bons resultados. Não será um investimento em atletas consagrados, mas sim nos que demonstrem talento e capacidade para se afirmarem como atletas de referência. Acima de tudo, para que possam ter uma oportunidade [de despontar], porque há muitos que não a têm", explica Mário Santos. Aí está o poder de inclusão social do desporto, capaz de abrir portas a jovens que, de outra forma, não teriam meios para continuar a estudar: "O desporto pode permitir mais facilmente a sua ascensão", nota o coordenador do Gabinete do Desporto da UC.

Garantindo que esses talentos não se perdem, até será possível construir, em Coimbra, "equipas com bom nível em muitas modalidades, recuperando, sem romantismos (percebendo que não se pode fazer tudo só com estudantes) o espírito na génese da Académica" - através das suas secções desportivas e organismos autónomos, a associação estudantil é o principal clube conimbricense e um dos históricos do desporto nacional.

E isso será, no fundo, meio caminho andado para a cidade dos estudantes se diferenciar, também, na área do desporto. "Estou grato pela minha universidade ter visto no desporto uma forma de se valorizar. Investiu; fez todos os esforços para que estes Jogos Europeus Universitários aconteçam; e reúne todas as condições para se afirmar nesta área", remata Mário Santos.

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