O rastreio do cancro da próstata identificou um tumor maligno em cada 20 exames realizados a utentes do Hospital do Desterro, em Lisboa, em 2004. Segundo o director do Serviço de Urologia desta unidade de saúde, Calais da Silva, 828 homens foram rastreados no último ano - menos 300 que em 2003 -, e 43 casos foram registados como positivos..Mais de cinco mil homens efectuaram, desde 2001, o rastreio do cancro da próstata no âmbito do programa de detecção precoce da doença realizado por esta unidade de saúde. De acordo com Calais da Silva, em Portugal a prevalência deste tipo de cancro - o segundo mais mortal para os homens, só ultrapassado pelo cancro nos pulmões - é de 3%..No último ano, 211 dos 828 homens observados apresentaram valores que justificavam a realização de uma biopsia. Desses, 42 recusaram-se a fazer o exame e 43 tiveram resultado positivo. Para Calais da Silva, "apesar de o número total de rastreios ter descido um pouco em relação a 2003 - em que se fizeram 1100 exames -, os números estão estabilizados"..Para o director do Serviço de Urologia do Hospital do Desterro, "há factores psicológicos que fazem com que muitos homens portugueses não se desloquem ao hospital atempadamente". Segun-do o médico, "as pessoas têm medo dos exames e, sobretudo, dos resultados". .O médico considera, no entan-to, que esse medo não se justifica "Antigamente, antes de se fazerem os rastreios, apenas 20 a 30% dos homens chegavam ao hospital com o cancro em fase curável e cerca de 70% apareciam já cheios de metástases." Segundo o responsável, "hoje verifica-se o contrário". Por isso, "todos os homens com mais de 50 anos - ou 45, no caso de ha-ver antecedentes familiares - devem fazer o rastreio e não ficar à espera de sentir os primeiros sintomas, porque eles não vão aparecer. Este tipo de cancro é silencioso", diz..O Hospital do Desterro foi a primeira unidade de saúde pública em Portugal a disponibilizar um novo tratamento, designado por braquiterapia, que, além de evitar um longo período de hospitalização, permite uma recuperação mais rápida e com menores custos..A braquiterapia consiste na implantação de minúsculas se-mentes radioactivas na próstata, através de agulhas. Durante o processo, o médico é guiado por ultra--sons. As sementes libertam altas doses de radiação na próstata, causando menor dano nas células circundantes, actuam durante semanas ou até meses e não necessitam de ser removidas..Com este tratamento, os efeitos secundários associados à remoção da próstata, como impotência sexual ou incontinência, são reduzidos. O Hospital do Desterro realizou, desde Outubro de 2003 - quando iniciou o tratamento -, 61 braquiterapias 14 nesse ano, 40 em 2004 e sete em 2005.