Um alemão seduzido pela América

Cineasta alemão da geração do 'Cinema Novo', Wim Wenders é também um autor fortemente ligado aos temas da cultura americana: a consagração internacional aconteceu em 1984, com 'Paris, Texas'.
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Há pouco mais de um mês, o nome de Wim Wenders voltou às manchetes da imprensa cinematográfica: na selecção oficial do Festival de Berlim (extracompetição), Wenders apresentava Pina, filme de memórias muito sentidas, recordando as coreografias de Pina Bausch. Nele ecoam algumas componentes fundamentais da trajectória do cineasta: uma relação constante com os temas da história e da cultura da Alemanha, a par de um gosto sistemático pelas mais diversas formas de experimentação (Pina, com estreia portuguesa marcada para 12 de Maio, tira partido dos mais avançados recursos de filmagem em 3D).

Nascido em 1945, em Düsseldorf, Wenders integrou a geração do "Cinema Novo Alemão" a que, directa ou simbolicamente, podemos ligar os nomes de Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog, Alexander Kluge, Margaret von Trotta e Hans-Jürgen Syberberg. Desde muito cedo, o seu trabalho revelou uma especial atracção pelos temas da solidão e da viagem, consagrados numa trilogia de road movies: Alice nas Cidades (1974), Movimento em Falso (1975) e Ao Correr do Tempo (1976). A sua proximidade com muitos temas e personagens da cultura americana viria a traduzir--se numa adaptação de Patricia Highsmith, O Amigo Americano (1977), em que um dos seus mestres, Nicholas Ray, surge num pequeno papel.

A projecção internacional de Wenders é indissociável do impacto de Paris, Texas, distinguido em 1984 com a Palma de Ouro de Cannes (por um júri presidido pelo actor inglês Dirk Bogarde), precisamente um dos seus títulos mais ligados aos EUA, às suas paisagens e aos temas da sua cultura on the road. Dois anos antes, Wenders tinha já arrebatado o Leão de Ouro de Veneza com O Estado das Coisas, cuja rodagem passou, em grande parte, por cenários portugueses, ilustrando outro tema vital da sua obra: o trabalho específico de uma equipa de filmagem e o modo como nele se reflectem as tensões e cumplicidades entre a vida e a ficção. O Estado de Coisas teria uma continuação simbólica em 1994, através de Lisbon Story, uma encomenda de Lisboa/Capital Europeia da Cultura.

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