Transformar máquinas de café em objectos de arte

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A primeira máquina de café expresso foi patenteada por Luigi Bezzera em 1901. Residente na cidade de Milão, na Itália, Bezzera tinha inventado um sistema baseado na pressão de água para produzir um café mais concentrado. Em 1938, outro italiano, Cresemonesi, patenteou a primeira máquina de café expresso com um sistema de pistão, que popularizou a imagem da máquina de café manual, com a alavanca característica.

A máquina Dolce Gusto não tem evidentemente o mesmo peso histórico, mas o seu desenho estilizado e contemporâneo serviu de modelo para a exposição "Dez Máquinas, Dez Criadores", hoje, às 19.00, inaugurada na Lx Factory, em Lisboa.

Como o nome indica, foram escolhidos, a convite da marca, dez criadores residentes em Portugal, para oferecer dez interpretações distintas do mesmo objecto.

Ao DN, a curadora da exposição, Joana Astalfi, que teve a seu cargo a selecção dos artistas, confessa, porém, que ficou, a princípio, algo reticente em relação ao projecto: "Este objecto é difícil de trabalhar, porque é já de si um objecto de design. Está acabado. E é muito difícil construir sobre ela."

"O que foi surpreendente para mim", continua a curadora, "foi a forma como os criadores (e é importante que se diga que são criadores, em vez de designers ou fotógrafos) conseguiram trabalhar aquilo que, pensava eu, era um objecto resolvido."

Designers gráficos, de produtos e de moda, fotógrafos ou cineastas, cada um dos dez convidados (ver coluna ao lado) abordou o objecto-base, segundo Joana Astalfi, de forma completamente livre. Os dois fotógrafos optaram por produzir duas curtas-metragens, sendo uma delas um retrato de "objectofilia" (segundo a curadora), num registo mais irónico, e outra uma peça mais estática.

Se os fotógrafos se dedicaram ambos a um medium visual, estes foram as excepções, visto que os restantes convidados optaram por trabalhar a própria máquina.

"Um dos designers optou por desmantelar a máquina até ao último parafuso", declarou a curadora, "mas a maioria escolheu utilizar a máquina como cenário, intervindo directamente na máquina, quer através de miniaturas aplicadas no objecto quer através da pintura. Um dos criadores até plantou uma árvore dentro da máquina."

Joana Astalfi declara, no entanto, que "Dez Máquinas, Dez Criadores" não é uma mostra de design, mas sim uma tentativa de fazer "uma exposição de arte contemporânea", tirando partido do "máximo possível de variedade de visão". Acrescenta, aliás, que cada criador personaliza a máquina, "apropriando-a quer através da celebração, da destruição, da ironia ou do humor".

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