Stoltenberg: "Esta é a escalada mais séria deste o início da guerra"

Líder da NATO diz que "se a Rússia parar de combater haverá paz" e "se a Ucrânia parar de combater deixará de existir como uma nação soberana na Europa".
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O líder da NATO, Jens Stoltenberg, considerou esta sexta-feira que estamos a assistir à "escalada mais séria deste o início da guerra", numa altura em que a Rússia anexou quatro regiões ucranianas e em que o Kremlin anunciou a mobilização de militares na reserva.

"Putin falhou nos seus objetivos estratégicos. Só ele tem responsabilidade em meter fim à guerra", afirmou o responsável.

"Se a Rússia parar de combater haverá paz. Se a Ucrânia parar de combater deixará de existir como uma nação soberana na Europa. Não estamos a falar de dois lados iguais. Continuamos determinados em apoiar a Ucrânia", acrescentou, recordando que a NATO é uma aliança defensiva.

Sobre a adesão da Ucrânia à Aliança Atlântica, Stoltenberg recordou que essa é uma decisão que "terá de ser aprovada por todos os aliados".

Putin assinou esta sexta-feira os tratados de anexação de quatro regiões ucranianas ocupadas que correspondem a cerca de 15% do território da Ucrânia - Donetsk e Lugansk (que já reconhecera como repúblicas independentes pouco antes de invadir a Ucrânia), Kherson e Zaporijia (onde se situa a maior central nuclear da Europa) -- sem contar com o reconhecimento internacional.

Também esta sexta-feira, a Ucrânia submeteu formalmente uma candidatura "acelerada" para a adesão à NATO. A decisão foi anunciada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que afirma que o país já mostrou a sua "compatibilidade" com os padrões que definem a Aliança".

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,5 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada por Putin com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 219.º dia, 5.996 civis mortos e 8.848 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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