Ataques russos fazem cinco mortos e atingem Kiev. Central nuclear de Zaporijia sem eletricidade

Quatro mortos em Lviv e um em Dnipropetrovsk. Explosões registadas na capital ucraniana. 15 mísseis atingiram Kharkiv e a região nordeste. Central nuclear sem ligação à rede elétrica ucraniana.
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Pelo menos quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, foram esta quinta-feira mortos na região ucraniana de Lviv (oeste), e uma quinta pessoa morreu na região de Dnipropetrovsk, na sequência de um ataque russo, anunciaram as autoridades locais.

Um míssil russo, que caiu num bairro residencial de Zolotchiv, destruiu três edifícios, disse o governador Maksym Kozytsky, na rede social Telegram.

"Os destroços estão a ser retirados, outras pessoas podem estar sob os escombros", acrescentou.

A quinta pessoa morreu e duas ficaram feridas na região de Dnipropetrovsk, onde foram alvo dos bombardeamentos infraestruturas de energia e edifícios industriais, disse o governador Serhii Lysak, citado pela agência de notícias Associated Press.

Alarmes aéreos soaram durante a madrugada em toda a Ucrânia, incluindo na capital, Kiev, onde explosões foram registadas em duas zonas, no ocidente da cidade, disse o presidente da câmara da capital ucraniana, Vitali Klitscho.

"Explosões no bairro de Holosiivskyi da capital. Todos os serviços [de emergência] estão a deslocar-se para o local", disse Klitschko nas redes sociais, referindo-se a uma zona no sul da cidade.

O autarca deu ainda conta de uma outra explosão na zona oeste da capital ucraniana, onde pelo menos duas pessoas ficaram feridas.

"Uma outra explosão na capital. Bairro de Sviatochyne. [Serviços de] Socorro a caminho do local. Dois veículos estão em chamas no pátio de um edifício residencial", escreveu Klitschko, na rede social Telegram, precisando que duas pessoas daquele bairro tinham sido feridas e hospitalizadas.

No leste da Ucrânia, 15 mísseis atingiram Kharkiv e a região nordeste, atingindo edifícios residenciais, de acordo com o governador de Kharkiv, Oleg Synegubov.

Além de Kharkiv, também infraestruturas energéticas regionais e edifícios residenciais foram atingidos em Odessa, no sul do país, disse o governador, Maksym Marchneko, descrevendo um "ataque maciço de mísseis".

"Felizmente, não registámos vítimas", declarou o responsável, acrescentando terem sido acionadas "restrições no fornecimento de eletricidade".

"A segunda vaga é esperada agora, por isso peço aos residentes da região que fiquem em abrigos", escreveu Marchenko, na rede social Telegram, há cerca de duas horas.

Na zona oeste, o governador da região de Khmelnytskyi, Segiy Gamaliy, pediu aos habitantes que "ficassem nos abrigos", uma vez que "o inimigo ataca as infraestruturas essenciais do país".

Foram aplicados cortes preventivos de energia de emergência nas regiões de Kiev, Dnipropetrovsk, Donetsk e Odessa, disse o fornecedor DTEK. Klitschko considerou que 15% dos consumidores de energia da capital ficaram sem energia devido aos cortes de emergência.

Mais explosões foram relatadas na cidade de Chernigiv, bem como nas cidades de Lutsk e Rivne. Os meios de comunicação ucranianos também noticiaram explosões nas regiões ocidentais de Ivano-Frankivsk e Ternopil.

Entretanto, o Presidente da Ucrânia já denunciou "as táticas miseráveis" da Rússia, na sequência dos ataques que visaram, esta madrugada, a capital e nove regiões do país.

"O inimigo lançou 81 mísseis, numa nova tentativa de intimidação dos ucranianos, recorrendo de novo a táticas miseráveis", afirmou Volodymyr Zelenski, na rede social Telegram.

A Rússia tem vindo a atingir a Ucrânia com ataques maciços de mísseis desde outubro passado. Inicialmente, visavam infraestruturas energéticas ocorriam semanalmente e mergulhavam cidades inteiras na escuridão, tornando-se menos frequentes ao longo do tempo. O último ataque ocorreu a 16 de fevereiro.

A operação militar da Rússia na Ucrânia começou a 24 de fevereiro do ano passado.

Também na sequência de um ataque russo, a central nuclear de Zaporijia, ocupada pelo exército russo no sul da Ucrânia, ficou sem ligação à rede elétrica ucraniana, afirmou esta quinta-feira o operador da central, advertindo para o risco de acidente.

"A última linha de comunicação entre a central nuclear ocupada de Zaporijia e a rede elétrica ucraniana foi cortada devido aos ataques de foguetes" russos, indicou, em comunicado, a Energatom, precisando que geradores a diesel de emergência estão a garantir a alimentação mínima da central.

"Atualmente, a central (...) encontra-se em 'black out' pela sexta vez desde a ocupação, os reatores das unidades 5 e 6 foram desligadas", acrescentou a Energatom.

O operador da central precisou que 18 geradores de emergência estão a garantir a alimentação mínima da central.

"Têm combustível suficiente para 10 dias. A contagem decrescente começou", sublinhou.

"Se não for possível renovar o fornecimento elétrico externo da central, poderá ocorrer um acidente com consequências radioativas", advertiu o operador.

O exército russo ocupou, a 04 de março de 2022, nove dias depois do início da invasão, este imenso complexo nuclear no sul da Ucrânia.

A central, que chegou a produzir 20% da eletricidade ucraniana, continuou a funcionar nos primeiros meses da invasão, apesar dos períodos de bombardeamentos. Em setembro, a produção foi cortada.

Desde então nenhum dos seis reatores VVER-1000, datados da época soviética, produz energia, mas a central continua ligada ao sistema energético ucraniano e consome eletricidade produzida por este para as suas necessidades.

Anteriormente, o operador nuclear ucraniano tinha advertido que a suspensão da central levava a "uma degradação eventual de todos os sistemas operacionais e do equipamento", com a Energatom a manifestar preocupação com o "risco de um acidente nuclear" em caso de rutura da última linha elétrica de ligação da central ao sistema energético ucraniano.

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