Reunião de emergência dos MNE da UE marcada para esta noite

Os chefes da diplomacia europeia marcaram uma reunião de emergência em Nova Iorque, após Vladimir Putin anunciar a mobilização parcial no discurso que fez ao país.
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Foi marcada para esta quarta-feira uma reunião de urgência dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia em Nova Iorque, depois do presidente russo, Vladimir Putin, anunciar a mobilização de 300 mil reservistas para a guerra na Ucrânia.

O encontro dos chefes da diplomacia europeia acontece à margem da 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas, de acordo com fontes diplomáticas, citadas pela AFP.

O alto representante para a Política Externa da União Europeia, Joseph Borrell, disse que convocou "uma reunião informal extraordinária e ad hoc" de ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 Estados-membros para coordenar uma resposta unificada às ameaças "inaceitáveis" do presidente russo, Vladimir Putin.

A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse que a reunião servirá para debater o discurso desafiador de Putin, no qual o presidente russo mobilizou reservistas e fez uma ameaça velada de usar armas nucleares na guerra da Ucrânia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também reagiu às palavras de Putin, dizendo à CNN que "isso exige novas sanções da nossa parte". Na semana passada, von der Leyen disse que as sucessivas ondas de sanções da UE contra a Rússia vieram para ficar e que os europeus devem manter sua determinação contra Moscovo.

Borrell, que disse que discursará na reunião do Conselho de Segurança da ONU, nesta quinta-feira, sobre a Ucrânia, disse que os ministros da UE provavelmente "discutirão sobre como continuar o apoio militar à Ucrânia, bem como continuar a pressionar a Rússia" durante a reunião extraordinária desta noite.

"A questão de mais sanções... com certeza estará sobre a mesa", acrescentou.

Borrell criticou severamente os comentários de Putin, particularmente de que a Rússia mantém o direito de "usar todos os meios à disposição" para proteger o país. "Ameaçar com armas nucleares é um perigo real para o mundo inteiro, e a comunidade internacional tem que reagir diante dessa ameaça". Putin, disse Borrell, "está a tentar intimidar a Ucrânia e todos os países que apoiam a Ucrânia. Mas ele falhará".

O discurso do presidente russo, transmitido nesta quarta-feira de manhã, no qual anunciou a mobilização militar de reservistas para a guerra na Ucrânia é o tema que vai estar em cima da mesa nesta reunião, afirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Annalena Baerbock.

Vladimir Putin anunciou a "mobilização parcial" de militares na reserva e o aumento de fabrico de armamento e ameaçou ainda utilizar todos os meios que a Rússia tem à disposição, meios esses que, segundo o presidente russo, são "mais poderosos" do que os da NATO.

"Temos meios mais poderosos da NATO e, se tivermos de o fazer para defender o nosso território, utilizaremos todos os meios que temos à disposição. Repito: todos os meios que temos à disposição", vincou, depois de alegar que o Ocidente tem ameaçado atacar a russa com armas nucleares e de destruição maciça. "Isto não é um bluff", avisou, numa clara alusão à utilização de armamento nuclear.

"O objetivo do Ocidente é enfraquecer, dividir e destruir a Rússia", garantiu, através da supressão "dos centros de desenvolvimento soberanos e independentes" no mundo.

"Eles [os ocidentais] dizem abertamente que em 1991 conseguiram desmembrar a União Soviética e que agora chegou a vez da Rússia", acusou.

Antes, Putin disse que vai "seguir sugestão do Ministério da Defesa para mobilização parcial de militares na reserva", explicando que esses militares "terão treino para reforçar a operação militar" na Ucrânia. "O decreto da mobilização parcial já está assinado e a mobilização começará hoje mesmo", acrescentou.

O presidente russo disse ainda que o Ocidente quer que o campo de batalha para o território russo e que há regiões na "fronteira que estão a ser bombardeadas".

Putin afirmou que o Kremlin fará de tudo para "garantir a segurança" durante os referendos que se vão realizar nas regiões separatistas e que as forças armadas russas estão numa linha da frente de 5000 km para garantir a segurança do seu povo.

Noticia atualizada às 20:48

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