Quem são os ativistas da Climáximo que pararam a 2.ª Circular?

Onze jovens ativistas que pararam a 2.ª Circular vão quarta-feira a tribunal. Pertencem ao coletivo Climáximo, que quer levar o debate da crise climática diretamente às pessoas.
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"O Governo e as empresas declararam guerra à sociedade e ao planeta". Foi com esta frase que os jovens do coletivo de pessoas Climáximo pararam o trânsito na Segunda Circular na manhã desta terça-feira. Nove jovens, identificados com coletes, sentaram-se na faixa de rodagem de um dos sentidos, impedindo o trânsito durante alguns minutos numa das mais movimentadas vias de Lisboa. Acabaram por ser tirados do caminho por vários condutores, inclusive através de agressões. Dois outros jovens penduraram-se com cabos num viaduto, a segurar uma faixa com a mesma frase, tendo sido retirados pelos Bombeiros Sapadores de Lisboa.

Os onze jovens que participaram nesta ação foram detidos e vão esta quarta-feira ser presentes a tribunal no Campus de Justiça. Enquanto estes elementos estavam detidos na esquadra de Benfica, outros membros do grupo estiveram do lado de fora, numa espécie de vigília.

A plataforma Climáximo afirma que através desta ação quer chegar diretamente às pessoas e dizer-lhes que já se fez tudo, sendo importante "parar de consentir este genocídio que está a acontecer". "Os planos dos governos e das empresas são conscientes, premeditados e coordenados. Estão a levar à morte milhões de pessoas e a destruir tudo o que nós amamos", afirma Mariana Rodrigues, membro do Climáximo, ao DN, em substituição do habitual porta-voz do grupo, um dos detidos pelas autoridades.

A Climáximo é um coletivo de pessoas que existe desde 2015 e desde aí tem organizado manifestações, ações diretas, ações de desobediência civil, alianças, conversas com governos e empresas, tudo com o objetivo de fazer pressão para travar a crise climática. Mariana Rodrigues explica que o coletivo faz parte de um movimento internacional mais abrangente pela justiça climática que está a atuar desde os anos 60 e 70.

"Chegámos a um ponto em que passados anos de conversações e de fazer pressão, a única conclusão a que chegamos é que as empresas e governos não só sabem o que estão a fazer, como estão tranquilos com isso", afirma a jovem.

Esta plataforma considera que os planos de transição justa apresentados pelas diversas entidades nos últimos anos são planos que estão a conduzir ao colapso climático e não a soluções. "Precisamos de parar de consentir isto".

A jovem explica que estas ações de disrupção pública são necessárias "porque a nossa casa está a arder". "Quando a nossa casa está a arder temos de bater a todas as portas, a todos os quartos, acordar todas as pessoas, parar aquela conversa, aquela reunião. Tudo isso tem que parar porque a casa está a arder. O andar de baixo já está completamente em ruínas e precisamos de sair e perceber como é que vamos apagar o fogo e sobreviver", reforça.

Para os jovens da Climáximo , "como as grandes empresas e governos não estão a fazer nada, são as pessoas que têm de assumir a luta pela crise climática".

Além da ação na Segunda Circular, os ativistas da Climáximo e de outras plataformas têm feito outros atos para marcar a sua luta contra a crise climática.

Há uma semana , ativistas da Climáximo e da Scientist Rebellion pintaram a fachada da Feira Internacional de Lisboa (FIL) de vermelho, numa altura em que estava a acontecer a conferência World Aviation Festival. Interromperam também uma sessão onde estavam vários executivos de empresas de aviação. Nessa altura, cinco ativistas foram idenficados pela PSP.

Também na semana passada, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, foi atacado com tinta verde por ativistas do movimento Greve Climática Estudantil, durante a abertura de uma conferência da CNN Portugal. Uma das ativistas afirmou que "o Governo provou que não quer saber da transição climática ao fazer conferências com a GALP e com a EDP". As jovens foram retiradas pelos membros da equipa de segurança do ministro e pela GNR.

Mariana Rodrigues, da Climáximo, afirma que ao fazer este tipo de ações têm noção das consequências legais que podem enfrentar. "Há sempre algum nível de receio quanto a isso, mas o nosso maior medo é que tudo o que nós amamos seja destruído. Neste momento, a cada hora que passa, mais mil pessoas são condenadas à morte. Lutar pela vida é neste momento a nossa obrigação", afirmou.

sara.a.santos@dn.pt

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