Putin responsabiliza serviços secretos ocidentais por atentados recentes na Rússia

Putin ordenou que as forças de segurança russas "façam tudo ao seu alcance para garantir a segurança da população local".
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O Presidente russo, Vladimir Putin, acusou esta quarta-feira os serviços secretos ocidentais de estarem implicados em ataques terroristas na Rússia, três dias após a morte dum conhecido 'blogger' militar num atentado à bomba em São Petersburgo.

"Há todas as razões para acreditar" que as capacidades de terceiros países e serviços secretos ocidentais estão "envolvidos na preparação de atos de sabotagem e terrorismo", tanto nos territórios ucranianos controlados pelos russos como na Rússia, disse Putin durante uma reunião televisionada do Conselho de Segurança local.

Putin falou na presença dos líderes instalados por Moscovo nas quatro regiões ucranianas que a Rússia defende ter anexado em 2022.

O Presidente russo acusou também as autoridades ucranianas de cometerem nestes territórios "crimes graves contra os civis que ali vivem, sem poupar ninguém", citando a existência de fogo de artilharia e de "ataques terroristas" contra funcionários nomeados pelos russos, bem como a outras figuras públicas.

Putin ordenou que as forças de segurança russas "façam tudo ao seu alcance para garantir a segurança da população local" nessas regiões.

No domingo, um conhecido 'blogger' militar pró-russo, Maxime Fomin, conhecido sob o pseudónimo de Vladlen Tatarsky e pelo apoio à ofensiva russa na Ucrânia, foi morto num atentado à bomba num café em São Petersburgo, pertencente ao líder do grupo paramilitar Wagner, Yevgeny Prigojine.

Moscovo acusou Kiev e "agentes" associados ao opositor russo Alexei Navalny, atualmente detido, de estarem envolvidos no assassínio.

A Ucrânia, por sua vez, garantiu que o atentado se trata de um acerto de contas interno nos círculos que apoiam a ofensiva na Rússia.

"Esta ação foi efetuada por nós de forma autónoma. Não mantemos contacto nem recebemos ajuda de nenhuma estrutura estrangeira ou de serviços secretos", assinalou a célula do NRA em São Petersburgo numa mensagem no canal Telegram Rospartizan.

A nota recorda que Tatarsky, pseudónimo de Maxime Fomin, era um "instigador da guerra e um criminoso de guerra" e que o café onde ocorreu a explosão era propriedade do chefe do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Prigozhin, que o NRA descreve como "um dos mais famosos criminosos russos".

O NRA assegura que o atentado não visava civis e que todos os feridos são apoiantes da campanha militar russa na Ucrânia e justificam "os crimes de guerra do regime de [Vladimir] Putin (Presidente russo) na Ucrânia".

A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, afirmou hoje que o assassínio de Maxime Fomin será "um dos temas em discussão" no Conselho de Segurança da ONU, órgão cuja presidência rotativa a Rússia (um dos cinco membros permanentes, com direito de veto) assumiu a 01 de abril, apesar de travar uma guerra no país vizinho, violando a soberania e integridade territorial de um Estado independente e, assim, violando os princípios de direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas.

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