Putin exibe navios e Zelensky avisa que guerra está a regressar à Rússia

No Dia da Marinha, presidente russo anunciou 30 novos navios para a frota. Moscovo foi alvo de ataques de drones, com o líder ucraniano a dizer que a Ucrânia "está a ficar mais forte".
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O presidente russo, Vladimir Putin, assistiu a um desfile naval em São Petersburgo, por ocasião do Dia da Marinha, mas não se limitou a ficar a ver navios. O chefe de Estado anunciou que, este ano, a Rússia vai acrescentar 30 novos navios à sua frota, que apelidou de "guardiã indestrutível das fronteiras da pátria, o seu orgulho e glória". Enquanto isso, o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, avisou que 522 dias após o início da "Operação Militar Especial" russa, a "guerra está a regressar ao território da Rússia". Isto depois de um ataque com drones ter danificado dois prédios em Moscovo.

Zelensky não reivindicou oficialmente esse ataque, que além dos danos obrigou a encerrar por cerca de uma hora o aeroporto internacional, mas os russos apontaram o dedo a Kiev. O Kremlin, como noutras ocasiões em que a capital foi atingida por drones, denunciou uma "tentativa de ataque terrorista", com o Ministério da Defesa a revelar que um dos veículos aéreos não-tripulados foi derrubado ainda nos arredores da cidade e outros dois foram "suprimidos por meio de guerra eletrónica", acabando por colidir com dois edifícios de escritórios. Não houve feridos.

As autoridades russas também revelaram que as defesas aéreas destruíram 16 drones ucranianos que tinham como alvo a Crimeia, a península ucraniana anexada ilegalmente pela Rússia em 2014. "Outros nove drones ucranianos foram suprimidos por meio da guerra eletrónica, sem atingir os alvos, despenhando-se no Mar Negro", informou, em comunicado, o Ministério da Defesa russo.

"A Ucrânia está a ficar mais forte. Gradualmente, a guerra está a regressar ao território da Rússia - aos seus centros simbólicos e bases militares, e isto é um processo natural inevitável e justo", escreveu Zelensky no Twitter, partilhando um vídeo em Ivano-Frankivsk, onde esteve ontem a participar num Congresso das Autoridades Locais e Regionais da Ucrânia. "Mas temos de estar cientes de que, tal como no ano passado, os terroristas russos podem ainda atacar o nosso setor energético e instalações críticas neste inverno", acrescentou. "Temos de estar preparados. Vamos fazer o possível a nível local e de segurança", indicou o presidente.

No último inverno, cerca de 40% do sistema elétrico ucraniano ficou danificado em ataques com mísseis e drones russos, deixando as cidades às escuras e os cidadãos ao frio. Segundo Kiev, tratou-se de uma estratégia deliberada para atingir os civis (um crime de guerra), mas Moscovo alegou que os ataques visavam reduzir a capacidade de combate dos ucranianos.

Depois do final da Cimeira Rússia-África, quatro líderes africanos - Ibrahim Traoré (Burkina Faso), Assimi Goïta (Mali), Denis Sassou-Nguesso (República do Congo) e Isaias Afwerki (Eritreia) - ficaram em São Petersburgo para assistir à parada naval do Dia da Marinha. Cerca de 3000 marinheiros e 45 navios e submarinos participaram no desfile, com Putin a discursar antes e a aplaudir as "corajosas tripulações" da frota, sem mencionar diretamente a Ucrânia.

"Em nome da Rússia, os nossos marinheiros dão toda a sua força, mostram verdadeiro heroísmo e lutam corajosamente, como os nossos antepassados. Hoje, a Rússia está a implementar com confiança os grandes elementos da sua política marítima nacional e está consistentemente a construir o poder da sua Marinha", afirmou o presidente, anunciando que este ano haverá 30 novos navios na frota.

Desde o início da guerra, a Rússia perdeu 18 navios, segundo os cálculos das Forças Armadas Ucranianas. Num relatório ontem divulgado, o Estado-Maior alega que 245 700 soldados russos morreram desde a invasão, a 24 de fevereiro de 2022. A Rússia também perdeu 4205 tanques, 8178 veículos blindados, 4795 sistemas de artilharia, 698 sistemas de lançamento múltiplo de rockets, 459 sistemas de defesa aérea, 315 aviões, 311 helicópteros e 4011 drones.

O ex-presidente russo Dmitry Medvedev, atual número dois do Conselho de Segurança da Rússia, voltou entretanto a ameaçar com o recurso às armas nucleares. "Imaginem que a ofensiva, que tem o apoio da NATO, era um sucesso e que eles rasgavam uma parte da nossa terra. Então seríamos forçados a usar armas nucleares, de acordo com as regras de um decreto do presidente da Rússia", indicou nas suas redes sociais. "Não haveria, simplesmente, outra opção. Por isso os nossos inimigos deviam rezar pelo [sucesso dos] nossos guerrilheiros. Eles estão a garantir que um fogo global nuclear não é aceso", acrescentou.

susana.f.salvador@dn.pt

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