Os independentistas catalães chegaram a acordo para a eleição da Mesa do Parlamento na próxima quarta-feira, mas estão ainda a estudar a fórmula que poderá ser usada para garantir a investidura, a partir de Bruxelas, de Carles Puigdemont como presidente da Generalitat. O Junts per Catalunya quer que esta ocorra via Skype, isto é, através de videoconferência com a capital belga, onde Puigdemont se autoexilou para fugir à justiça espanhola. Mas também estuda a hipótese de um outro deputado ler o discurso do seu líder no plenário. A Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) quer ouvir os serviços jurídicos antes de se pronunciar..O acordo alcançado entre Puigdemont e a secretária-geral da ERC, Marta Rovira, durante um jantar na terça-feira à noite em Bruxelas, visa principalmente a eleição da Mesa do Parlamento. O que implica que não haverá bloqueio da constituição deste órgão, garantindo o início da legislatura. Ambos concordaram que os quatro lugares que cabem aos independentistas (os outros partidos têm três) devem ser repartidos de forma igual por ambos os partidos, afastando assim a hipótese de dar um ao Catalunya en Comú-Podem (Comuns, aliança que inclui o Podemos e nem é a favor da independência, nem da aplicação do artigo 155.º da Constituição que suspendeu a autonomia na Catalunha)..Chegou a falar-se da ideia de ser o cabeça de lista dos Comuns, Xavier Domènech, o próximo presidente do Parlamento catalão, mas este acordo afasta essa hipótese. Caberá à ERC a presidência, como na anterior legislatura. Contudo, Carme Forcadell não deverá voltar ao cargo, por causa dos processos jurídicos que tem pendentes..A questão da investidura de Puigdemont será estudada pelos advogados da ERC, assim como os do próprio Parlamento catalão. Nada nas regras indica que o candidato tem que estar presente e cada lado faz as suas próprias leituras. Em última análise, poderá caber à Mesa do Parlamento a decisão. A investidura ainda não tem data marcada, mas a primeira votação terá de ocorrer até 31 de janeiro. Não é claro como é que os deputados eleitos que estão em Bruxelas, junto com Puigdemont, ou detidos, como o líder da ERC, Oriol Junqueras, acusado de rebelião, sedição e peculato na organização do referendo de 1 de outubro vão poder votar. Este já pediu autorização ao juiz para ser transferido para uma prisão catalã e poder assistir às sessões de constituição da Mesa do Parlamento, a 17 de janeiro, e à de investidura..O anúncio do acordo - inicialmente houve discrepâncias na mensagem e sobre se incluía ou não a eleição de Puigdemont - já foi comentado pelos outros partidos. O Partido Popular, no poder em Madrid, já disse que irá recorrer ao Tribunal Constitucional para travar qualquer alteração ao regulamento do Parlamento catalão que permita a investidura de Puigdemont. O partido de Mariano Rajoy quer coordenar-se com o Ciudadanos, o mais votado nas eleições de 21 de dezembro, e com o Partido dos Socialistas Catalães para evitar que esta possa acontecer a partir de Bruxelas.."Qualquer acordo de independentistas que implique um governo independentista é uma má notícia e se, além disso se faz, como parece que se quer fazer, de forma ilegal... os constitucionalistas teremos que tomar as decisões necessárias para impedir por todos os meios que se volte a cometer uma nova ilegalidade", indicou o coordenador-geral do PP, Fernando Martínez Maillo, aos jornalistas espanhóis. Inés Arrimadas, líder do Ciudadanos na Catalunha, lembrou na noite de terça-feira que um fugitivo da justiça não pode ser o líder da região. "Não podemos ter um presidente holograma na Catalunha", disse numa entrevista televisiva. "Não se pode ser presidente da Catalunha desde Bruxelas via Skype", acrescentou..Por seu lado, a Candidatura de Unidade Popular (o outro movimento independentista, que passou de dez para quatro deputados), disse querer conhecer o conteúdo do acordo. E reiterou que o caminho passa pela independência e pela criação da República catalã, já que isso foi o que os catalães votaram no referendo de 1 de outubro.