PSD questiona Governo sobre inexistência de pediatras na urgência hospitalar de Portimão

O grupo parlamentar do PSD apontou hoje a existência de "graves problemas" na urgência pediátrica do Hospital de Portimão, onde o atendimento de crianças é efetuado por médicos de clínica geral, e questionou o Governo sobre o assunto.
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Em requerimento dirigido ao ministro da Saúde, os deputados do PSD observam que o Hospital de Portimão, no Algarve, não dispõe de pediatras escalados no respetivo Serviço de Urgência Pediátrica - urgência interna e externa -, circunstância que obriga a que o atendimento de crianças e jovens seja feito por médicos de clínica geral.

"A unidade hospitalar do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) chega mesmo ao ponto de informar os utentes que, caso se verifique a necessidade de cuidados pediátricos, as crianças serão transferidas para a unidade de Faro, o que representa um risco para a saúde humana", alegam os sociais-democratas.

O administrador do Centro Hospitalar do Algarve, Joaquim Ramalho, reconheceu na quinta-feira aos jornalistas, durante uma visita ao Hospital de Faro, "dificuldades em garantir a escala de urgência" de Pediatria, sobretudo em Portimão, e estimou que a mesma possa ser regularizada no mês de agosto, adiantando que, até lá, os clínicos gerais asseguram situações agudas, que não requerem a intervenção diferenciada de um pediatra.

"Quando é preciso serem observadas por um especialista, vêm para Faro", sublinhou Joaquim Ramalho. A distância entre as duas unidades hospitalares é de cerca de 70 quilómetros.

Os deputados Miguel Santos, Ângela Guerra, Luís Vales, Cristóvão Norte e José Carlos Barros afirmam que a falta de pediatras naquela unidade hospitalar é um problema recorrente: "Verificou-se em 2016, repetiu-se no passado mês de janeiro e voltou a suceder nos dias 02 e 03 deste mês, o que motivou a diretora do Serviço de Pediatria a solicitar a sua demissão".

"É grave e irresponsável que o CHA não assegure pediatras na unidade de Portimão, de modo a garantir a segurança no funcionamento dos serviços, designadamente no bloco de partos, berçário, neonatologia e internamento de pediatria, já que os mesmos acolhem um significativo número de recém-nascidos e de crianças, nalguns casos inspirando cuidados de saúde", lê-se no documento.

Os parlamentares pedem ao Governo que clarifique como e quando pretende assegurar que a unidade de Portimão seja dotada dos recursos humanos necessários em Pediatria, em especial no serviço de urgência pediátrica.

Questionam ainda o Governo se tem conhecimento da inexistência de pediatras no serviço de urgência e se instaurou algum inquérito ao CHA, com vista a apurar as condições de funcionamento da unidade de Portimão no que se refere ao respetivo Serviço de Pediatria.

Para os deputados, a situação "não é apenas inaceitável, por representar um risco para a vida humana e uma quebra de segurança nos cuidados de saúde pediátricos, como mina a confiança das famílias com crianças no bom funcionamento do sistema público de saúde, quando não vislumbram capacidade de resposta para satisfazer os seus legítimos direitos".

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