Primeira-dama da Ucrânia pede ajuda para levar crianças sequestradas para casa

Olena Zelenska disse que mais de 19 mil crianças ucranianas foram transferidas à força ou deportadas para a Rússia ou territórios ocupados
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A primeira-dama da Ucrânia apelou esta terça-feira aos líderes mundiais para que ajudem a devolver as crianças ucranianas levadas à força para a Rússia, onde disse que estão a ser doutrinadas e privadas da sua identidade nacional.

Em declarações à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, Olena Zelenska disse que mais de 19 mil crianças ucranianas foram transferidas à força ou deportadas para a Rússia ou territórios ocupados. Até agora, apenas 386 foram trazidas de volta.

Na Rússia, "disseram-lhes que os pais delas não precisam delas, que o país delas não precisa delas e que ninguém está à espera delas", afirmou.

"As crianças sequestradas foram informadas de que já não são crianças ucranianas, mas sim crianças russas", acrescentou.

No seu discurso à Assembleia Geral no início do dia, o presidente Volodymyr Zelensky foi mais longe, apelidando as ações da Rússia de genocidas.

"Estamos a tentar trazer as crianças de volta para casa, mas o tempo passa. O que vai acontecer com elas?" questionou.

"Essas crianças na Rússia estão a ser ensinadas a odiar a Ucrânia e todos os laços com as suas famílias estão a ser rompidos", acrescentou Zelensky. "Isto é claramente um genocídio", acrescentou.

A Rússia nega as acusações, dizendo, em vez disso, que salvou as crianças ucranianas dos horrores da guerra.

O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de detenção contra o presidente russo, Vladimir Putin, sob a acusação de crime de guerra de deportação ilegal de crianças ucranianas. Outro mandado foi emitido contra Maria Lvova-Belova, comissária presidencial da Rússia para os direitos das crianças, por acusações semelhantes.

Mais de 500 crianças foram mortas desde que a Rússia invadiu o país vizinho, há mais de um ano e meio, e centenas de outras foram mutiladas ou feridas, segundo Zelenska.

As autoridades ucranianas também estão a investigar mais de 230 casos de violência sexual cometidos por soldados russos contra civis, incluindo 13 crianças, segundo a primeira-dama. Zelenska disse que entre as vítimas estão 12 raparigas e um rapaz, sendo que a criança mais jovem tinha apenas quatro anos quando foi cometido o crime.

"Recorro ao secretário-geral da ONU e a toda a organização para nos ajudar a salvar as crianças ucranianas", apelou Zelenska.

"Ajude-nos a receber informações sobre as crianças levadas para a Rússia... Ajude-nos a tirar as crianças dos territórios ocupados através de corredores seguros especiais. Os nossos filhos precisam de justiça", acrescentou.
O procurador-geral ucraniano, Andriy Kostin, disse que a comunidade internacional, a fim de evitar a escassez global de alimentos, negociou com sucesso um tratado com a Rússia que permite que as exportações de cereais ucranianos continuem apesar da guerra.

Kostin apelou a um mecanismo legal semelhante para facilitar o regresso das crianças ucranianas. "O mundo esteve muito ativo", afirmou, referindo-se à adopção da Iniciativa de Cereais do Mar Negro, da qual a Rússia saiu: "Acho que agora é hora das Nações Unidas se unirem para devolver as crianças ucranianas a casa. Qualquer voz, qualquer pressão e qualquer comunicação ajudaria."

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