Presidente Nicolas Sarkozy leva a tribunal magia negra

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França. Ségolène Royal ainda não comentou a sua efígie humorística

Presidente Nicolas Sarkozy leva a tribunal magia negra

A justiça francesa pronuncia-se hoje sobre a interdição de comercialização de uma "saborosa biografia ornamentada com ilustrações originais" de Nicolas Sarkozy, que oferece também um manual vudu e a efígie do Presidente para que os seus compatriotas possam "esconjurar o mau olhado e impedi-lo de causar mais desgraças".

Tudo isto - e mais 12 indispensáveis agulhas para as "maldades" do vudu - por 12,95 euros numa edição da casa K&K, que colocou à venda na Internet há pouco mais de duas semanas o estojo que está a irritar o actual inquilino do Eliseu. E para que ninguém acuse a K&K de falta de pluralismo está a ser comercializado um kit da adversária de Sarkozy nas últimas presidenciais, a socialista Ségolène Royal.

Os advogados de Sarkozy consideram que as edições K&B "difundiram sem sua autorização e para fins comerciais um boneco de vudu com a sua efígie". Esta imagem, em lugar da usual identificação de órgãos e partes do corpo, reparte a anatomia do Presidente francês com algumas das frases que o popularizaram - pelas melhores e piores razões.

Desde logo, o inevitável racaille (escumalha) com que mimoseou os jovens que destruíram e incendiaram infra-estruturas nos bairros da periferia da capital francesa e outras cidades em 2005. Mas constam também várias promessas eleitorais ou programas - mais ou menos controversos - que defendeu enquanto ministro, além do excessivamente coloquial casse-toi pauv'con (vai-te lixar parvalhão!) lançado a um indivíduo que se recusou a apertar-lhe a mão numa visita a um certame agrícola na campanha presidencial.

As edições K&K consideram excessiva a reacção do Presidente, referindo em comunicado estar-se perante uma exigência "absolutamente desproporcionada dada a natureza lúdica e humorística do manual".

Sarkozy já recorreu no passado aos tribunais contra aquilo que apresenta como atentados à sua imagem e actos de difamação pessoal. Recentemente, apresentou queixa contra a divulgação de textos de um antigo responsável da espionagem francesa comentando aspectos da sua vida privada.

Em silêncio permanece Ségolène Royal, que não proferiu nenhuma declaração sobre a sua efígie. A socialista também é rica em frases saborosas e comprometedoras: desde gafes sobre a "soberania" da província canadiana do "Quebeque livre" à sua declaração sobre a "rapidez e eficácia da justiça chinesa".|Com agências

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