Portugal ligado à Europa por voos de apenas 20 euros

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A euforia das viagens de avião a preços baixos instalou-se de vez em Portugal. São cerca de uma dezena de companhias que operam a partir de Lisboa, Porto e Faro para diversos destinos europeus a um preço equivalente ao de uma corrida de táxi. A mais recente ligação foi inaugurada esta semana com a irlandesa Ryanair a ligar o Porto a Londres (Stansted) por apenas 19 euros, mais taxas de aeroporto, por percurso.

Os utentes destas companhias têm acesso a quase todas as principais cidades europeias. As passagens são compradas através da Internet a preços tão baixos que podem chegar aos 18 cêntimos. Mas, também neste caso, "não há bela sem senão" e, apesar das apelativas campanhas promocionais, o passageiro tem de contar com alguns problemas que esta escolha tão económica acarreta.

A estreia no nosso país das companhias aéreas low cost ocorreu em 1995 quando a Easyjet, na altura denominada Go, surpreendeu o mercado ao oferecer preços de viagens, de Faro para Londres, muito inferiores aos praticados pelas companhias de bandeira. Actualmente, é uma das maiores empresas neste sector, transportando, por ano, mais de 20 milhões de passageiros.

A modalidade de reserva de bilhete é idêntica em todas estas companhias. Comprar barato significa fazer a reserva o mais cedo possível, sendo ideal fazê-lo com uma antecedência de três a quatro meses em relação ao dia da viagem. Não se vai ao balcão de uma qualquer agência, mas compra-se a passagem no conforto do lar ou no emprego, através da Internet.

No caso da Ryanair, que disponibiliza 94 destinos na Europa, já surgiram nos primeiros dias de anúncio, nas suas páginas da Net, viagens por apenas 18 cêntimos. "O ideal é que as pessoas façam a compra cerca de três semanas antes. O preço-base de 19 euros é definido para 70% da capacidade do avião, mas os primeiros preços podem ser colocados no site da companhia por um valor inferior. Depois de completado os 70% da capacidade, o montante vai subin- do", explicou ao DN David Gering, responsável pela Ryanair em Portugal. No caso da Easyjet, o valor varia também conforme os dias da semana, podendo os preços ser mais elevados ao domingo.

Com forte implantação no mercado português está também a Air Berlin, que voa do Porto, Lisboa e Faro para Londres, Suíça, Áustria e diversas cidades alemãs, por apenas 21 euros, já com taxas aeroportuárias incluídas. Esta é a segunda maior companhia aérea alemã e a terceira de baixo custo da Europa. O seu destino principal, para onde canaliza milhões de turistas, é Palma de Maiorca, Espanha, mas a companhia orgulha-se do texto associado ao seu novo logótipo e que apela a públicos específicos (férias, compras, negócios), sempre com a vantagem de o utente contar com «simpatia, taxas, impostos, tudo incluído». Enquanto os portugueses começam a despertar para estas viagens, os voos servem, essencialmente, para trazer turistas. Por isso, não é de estranhar que as low cost representem já 25% do tráfego total do Aeroporto de Faro.

prós e contras. Se o preço é a grande mais-valia de viajar nestas companhias aéreas, o passageiro tem, no entanto, de contar com uma série de constrangimentos que podem fazer com que, no final da viagem, o barato tenha saído caro. As companhias low cost utilizam sobretudo aeroportos periféricos de forma a beneficiarem de taxas reduzidas de utilização, facto que depois obriga o turista à deslocação de largos quilómetros até aos centros das cidades. Dando um exemplo, e no caso de uma viagem para Londres, a quase totalidade destas companhias aterra ou em Stansted ou em Luton. Recorde-se que o aeroporto de Stansted começou por ser uma aerogare militar, distando 56 quilómetros do centro da capital britânica.

O custo da deslocação terá de ser tido em conta por quem vai viajar. De comboio, até Liverpool Street, são 45 minutos de viagem por cerca de 19 euros (ida e volta). O preço de autocarro é equivalente ao comboio, mas o trajecto leva muito mais tempo, concretamente 01.40. O táxi é o mais caro. O natural impulso de chegar o mais rapidamente ao hotel pode estragar o resto da estada. A corrida custa 130 euros. O caso de Londres assemelha-se aos restantes destinos. Outra desvantagem é a inexistência de escalas e, desse modo, a imposição de um só destino.

No caso de perda do voo, perde--se também o dinheiro na totalidade. A bordo não há refeições e no caso de solicitadas são cobradas. O conforto interior dos aviões também não é o melhor, reparo que, no entanto, é feito apenas pelo turista mais exigente.

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