Saiam do "sofá" e lutem pelo vosso futuro. Foi este o desafio lançado aos jovens pelo Papa, no "Campos da Misericórdia", a 15 quilómetros a sul de Cracóvia, na Polónia, onde decorre a Jornada Mundial da Juventude. Antes da vigília de oração, Francisco almoçou com 14 voluntários, aos quais deu conselhos, num ambiente descontraído e de brincadeira. "Foi como comer com o meu pai", disse uma das jovens..Durante a vigília, na qual estiveram presentes mais de 1.5 milhões de pessoas, o pontífice falava de "um sofá - como os que existem agora, modernos, incluindo massagens para dormir - que nos garanta horas de tranquilidade para mergulharmos no mundo dos videojogos e passar horas diante do computador". Um sofá, prosseguiu, "contra todo o tipo de dores e medos"..Citado pela agência Ecclesia, Francisco frisou que uma juventude "adormecida" só é benéfica para aqueles que querem decidir o futuro dos outros. "É muito triste passar pela vida sem deixar uma marca", disse, lembrando que ninguém veio ao mundo para "vegetar". E aproveitou para condenar "outras drogas socialmente aceitáveis", que fazem com que os jovens fiquem "entorpecidos"..Para o pontífice, o mundo atual não precisa de "jovens-sofá", mas sim de jovens "calçados com botas", que caminhem "por estradas nunca sonhadas". Apelando à construção de uma "ponte fraterna", pediu aos presentes que, simbolicamente, dessem um aperto de mão a quem estava ao lado..Após a multidão ter ouvido os testemunhos de três jovens, entre os quais o da síria Rand Mittri, que falou do impacto da guerra em Alepo, o Papa disse que é impossível "vencer o ódio com mais ódio", e que, por isso, a resposta "a este muito em guerra tem um nome: chama-se fraternidade". Mas também "irmandade", "comunhão" e "família", defendeu. Convidando os presentes a rezar pelo sofrimento das vítimas de guerra, o pontífice argentino destacou que há muitas pessoas para quem "o sofrimento e a guerra" já não são "uma coisa anónima.".Horas antes, Francisco almoçou com 14 voluntários da JMJ, num encontro onde não faltaram conselhos para os jovens, brincadeiras e, claro, algumas selfies. Citado pela Lusa, Marco Bulgarelli, da Costa Rica, contou que "foi uma experiência maravilhosa e única na vida. O papa fez toda uma série de perguntas sobre as nossas vidas e deu-nos conselhos sobre como evangelizar: primeiro com os atos e não com as palavras". Para Paula Mora, da Colômbia, foi "como comer com o pai, enquanto ouves os seus conselhos de vida". Além de assuntos mais sérios, como a importância de rezar e da confissão, até o futebol foi tema de conversa durante o almoço..Antes de seguir para a vigília no "Campo da Misericórdia", uma paragem que não estava no programa oficial. O papa visitou a igreja de São Francisco, em Cracóvia, onde rezou pelas vítimas do terrorismo e para que os terroristas reconheçam a maldade das suas ações..De manhã, durante a missa no Santuário de João Paulo II, o pontífice pediu que a Igreja "esteja em saída, vá pelo mundo". "Jesus envia. Ele, desde o início, deseja que a Igreja esteja em saída, vá pelo mundo", afirmou na homilia. Após a missa, Francisco seguiu para confessar oito jovens na Santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia..O Papa volta este domingo ao "Campus da Misericórdia" para presidir à Missa final da JMJ, durante a qual vai anunciar a cidade-sede e o ano da próxima edição internacional do evento promovido pela Igreja Católica..Sírios enviam mensagem.Em Alepo, na Síria, cerca de 1200 jovens católicos celebraram ontem a Jornada Mundial da Juventude e enviaram um vídeo de saudação ao papa e aos milhares de peregrinos que participam no encontro, em Cracóvia. Mais de trinta associações, grupos religiosos e escolas de Alepo decidiram organizar o encontro, que é especialmente complicado num país devastado pela guerra, disse um dos organizadores, o padre salesiano Pier.