O Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências defende uma maior fiscalização à venda de bebidas alcoólicas a jovens. O consumo nessa faixa etária continua a ser um problema?.É preocupante. Até porque os mais novos não têm o organismo preparado e o cérebro também não, ainda está em fase de estruturação. Ao consumirem sofrem o risco de desenvolver doenças, seja no que diz respeito ao álcool ou a outras substâncias..O que se pode fazer para reduzir essa exposição dos mais jovens [de acordo com os dados do SICAD há jovens que começam a beber ainda antes dos 13 anos] às bebidas alcoólicas?.Devia passar pela responsabilização dos pais. Atualmente são muito permissivos, deixam os meninos ir para casa a altas horas da noite. Estão na fase dos pais amigos e não na dos pais que deviam controlar o crescimento dos filhos..A legislação que proíbe a venda a menores não ajuda?.Apesar de a lei estar adequada, todos sabemos que não é respeitada. A própria sociedade é extremamente permissiva. Não há a perceção dos riscos que hoje os nossos jovens correm e que não têm nada que ver com os riscos que corríamos há 20/30 ou 40 anos..E depois não têm apoio....A sociedade é hipócrita. Facilita este tipo de comportamentos dos jovens, mas depois quando os mais frágeis adoecem são colocados de lado e considerados drogados, dependentes. Tiram-lhes o tapete. Uma criança de 13 anos não tem capacidade para tomar decisões. As pessoas deviam ser mais rigorosas. Nós ensinamos pelos exemplos. E às vezes vimos à mesa os pais no telemóvel, tal como os miúdos, e se calhar eles até queriam falar..A dependência pode "esconder" outros problemas?.Não pode ser visto isoladamente tem de ser visto no contexto da saúde mental do indivíduo. O problema é a fragilidade. Temos de intervir junto da pessoa e perceber as suas fragilidades.