Mãe do atacante de Paris deu alarme em outubro

Os pais e a irmã de Armand Rajabpour-Miyandoab, suspeito de ter assassinado um turista alemão, no sábado, perto da Torre Eiffel, em Paris, estão desde sob custódia policial, segundo o jornal Le Parisien.
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A mãe do homem que esfaqueou um turista alemão até a morte perto da Torre Eiffel, em Paris, alertara em outubro que estava preocupada com o seu filho, um conhecido radical islâmico já anteriormente preso por planear um ataque, disseram os promotores franceses este domingo.

"No final de outubro de 2023, a mãe do agressor relatou preocupações sobre o comportamento do seu filho. Mas não havia nada que permitisse um novo processo", disse o promotor Jean-François Ricard aos repórteres.

Os pais e a irmã de Armand Rajabpour-Miyandoab, suspeito de ter assassinado um turista alemão, no sábado, perto da Torre Eiffel, em Paris, estão desde sob custódia policial, segundo o jornal Le Parisien.

Os pais, que viviam com o alegado autor do ataque em Essonne, na região de Paris, são iranianos exilados políticos. Rajabpour-Miyandoab, o atacante, de 26 anos, tem nacionalidade francesa por ter nascido no país.

Em caso de suspeitas de 'jihadismo' é habitual que as autoridades francesas recorram à custódia policial de elementos próximos do suspeito, com a intenção de obter informações ou detetar se também estão envolvidos.

A custódia policial em França pode ir em casos de terrorismo até 144 horas (seis dias).

Os meios de comunicação social locais divulgaram que o suspeito deixou um vídeo em que se afirmava membro do grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI).

No ataque, um turista alemão morreu depois de ter sido esfaqueado e duas pessoas ficaram feridas, atingidas a golpes de martelo.

O agressor, que gritou "Allahu Akbar" ("Deus é grande") antes de ser detido, já tinha sido condenado em 2016 a quatro anos de prisão por ter planeado um ataque, precisou o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, em declarações à imprensa no local do ataque, o 15.º bairro parisiense, a algumas centenas de metros da Torre Eiffel.

O suspeito jurou lealdade ao grupo Estado Islâmico num vídeo postado nas redes sociais, disseram promotores antiterroristas franceses este domingo.

Conhecido pelas autoridades como um islamista radicalizado que tinha ligações nas redes sociais com os autores de outros ataques recentes em França, ele também tinha sido sujeito a vigilância psicológica rigorosa por questões de saúde mental, disse aos jornalistas o procurador Jean-François Ricard.

O ataque na noite de sábado ocorreu no momento em que a França está no seu nível de alerta mais alto no contexto da guerra entre Israel e o Hamas e após uma série de aparentes ataques de lobos solitários no país.

Identificado como Armand Rajabpour-Miyandoab, o agressor com faca é um cidadão francês nascido em 1997, filho de pais iranianos.

Matou um homem de 23 anos, identificado como cidadão alemão-filipino, com dois golpes de martelo e quatro de faca. Gritando "Allahu Akbar" ("Alá é grande"), Rajabpour-Miyandoab fugiu pela ponte Bir Hakeim sobre o rio Sena após a intervenção de um motorista de táxi.

Ao encontrar uma patrulha policial do outro lado, alegou estar a usar um cinto explosivo antes de correr novamente, atingindo dois transeuntes - um cidadão britânico de 66 anos e um francês de 60 anos - com o martelo.

Foi finalmente parado com dois tiros de taser e levado sob custódia.

Os ministros liderados pela primeira-ministra Elisabeth Borne reuniram-se para uma reunião de segurança este domingo, com a chefe do governo a escrever no X, antigo Twitter, que "não cederemos ao terrorismo".


Uma conta X (antigo Twitter) aberta por Rajabpour-Miyandoab no início de outubro mostrava "muitas publicações sobre o Hamas, Gaza ou a Palestina em geral", acrescentou o procurador.
Foi lá que o agressor publicou um vídeo em árabe apresentando-se como um combatente do Estado Islâmico, baseado no Afeganistão.

"Neste vídeo, ele jurou lealdade ao Estado Islâmico e expressou seu apoio aos jihadistas... na África, no Iraque, na Síria, no Sinai... no Iémen ou no Paquistão", disse o procuraador.

Rajabpour-Miyandoab, cuja família não é religiosa, converteu-se ao Islão aos 18 anos e começou a consumir grandes quantidades de propaganda do EI, segundo os procuradores.

Tinha planos de se juntar ao grupo Estado Islâmico no Iraque ou na Síria em 2016 e era amigo no Facebook de um homem que matou dois policiais na sua casa em Magnanville, nos arredores de Paris - embora os dois não tenham trocado mensagens.

Mais tarde naquele ano, foi preso por planear um ataque, acabando por cumprir quatro anos de prisão e sob vigilância rigorosa após sua libertação.

Essa vigilância foi reforçada com base nos seus contactos nas redes sociais, incluindo com o futuro assassino do professor Samuel Paty, decapitado à porta da sua escola em 2020 por um agressor islâmico.

Rajabpour-Miyandoab também esteve sob tratamento psiquiátrico obrigatório para problemas de saúde mental até abril deste ano, disse Ricard.

"Como acontece frequentemente nestes casos, há uma mistura de ideologia, uma pessoa facilmente influenciável e, infelizmente, psiquiatria", disse o ministro da Saúde, Aurelien Rousseau

Após a reunião de segurança deste domingo, o ministro do Interior, Gerald Darmanin, disse que as autoridades "deveriam poder solicitar (ou) exigir tratamento obrigatório" para pessoas com problemas de saúde mental que se acredita estarem radicalizadas.

A França continua "sob a ameaça do islamismo radical a longo prazo", acrescentou Darmanin, apelando a "uma resposta penal muito forte".

A França sofreu vários ataques de extremistas islâmicos, incluindo o suicídio e os ataques com armas de fogo em novembro de 2015 em Paris, reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, nos quais 130 pessoas foram mortas.

As tensões voltaram a aumentar recentemente em França, palco de grandes populações judaicas e muçulmanas, após o ataque sem precedentes do Hamas a Israel em 7 de Outubro e o subsequente bombardeamento de Israel na Faixa de Gaza.

atualizado às 20.15

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