Os professores estão condenados a perder

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Desmontada a geringonça, peça a peça, António Costa ganhou novos tiques. Há um ano à frente de um governo de maioria absoluta, que demasiadas vezes confunde com poder absoluto, tem-nos brindado com pérolas que começam na certeza de que só ele determina quem está e quem sai do seu governo - independentemente de ter manchas no currículo, prestações vergonhosas em plena governação ou processos judiciais em curso - e terminam na decisão de resolver os problemas a que fechou os olhos durante uma década apropriando-se daquilo que não pertence ao Estado, mas aos cidadãos, como agora vimos no pacote da habitação.

Não devíamos, de facto, admirar-nos, ao fim de tantos anos desta liderança política: fazer acontecer com o dinheiro - ou os bens - dos outros é a fórmula usada desde o primeiro dia. Não foi senão com o dinheiro desviado do bolso dos portugueses - metade do salário aqui, 23% de IVA ali, um bónus de ISP acolá... - e das empresas que aqui tentam fazer negócios (sujeitando-se à carga fiscal acumulada mais alta da União Europeia) que Costa amealhou para mostrar a sua generosidade sob a forma de subsídios e esmolas.

Só em impostos indiretos - aqueles que não notamos que nos estão a deixar os bolsos mais leves -, essa receita fiscal foi brutalmente engordada no último ano à custa da inflação galopante que emagreceu os rendimentos dos portugueses. Fazendo as contas a 2022, foram mais 5,5 mil milhões de euros a entrar nos cofres do Estado do que no ano anterior, aquele em que se registara já a carga fiscal mais elevada de sempre. No total, foram quase 60 mil milhões de euros arrecadados num ano em que toda a gente perdeu poder de compra.

Podia Costa usar parte desses inesperados fundos para, por exemplo, resolver os problemas dos professores? Podia. Mas se não o fez pelos mais pobres, preferindo distribuir cheques de 240 euros e oferecer meia botija de gás para fazerem face à crise; se não o fez pelos reformados, preferindo dar-lhes um bónus de meia pensão que os condena a uma perda permanente na reforma; se não o fez pelos restantes funcionários públicos, que mantém presos a progressões cirúrgicas de carreira; ninguém acredita que o fará pelos professores. Por muito que sejam eles quem molda o futuro do nosso país.

É despesa permanente? É. Mas que poderia ser assumida se não se despejasse euros na sarjeta com delírios ideológicos. Quando o dinheiro chega ao lado de lá, é Costa que decide como o gasta. E haverá sempre uma TAP para nacionalizar ou um apartamento alheio para tomar ao sabor da veia ideológica, antes de garantir mínimos de dignidade a quem o governo socialista prefere que continue a depender das suas esmolas.

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