No dia seguinte ao empate com a Itália, Orlando Duarte continua a não ver sombras no 0-0. "O Europeu ainda agora começou...". O seleccionador português preferiu manter a razão à frente da emoção, na véspera de defrontar a República Checa (hoje, 17.30, SIC). "Não podemos ser burros", atirou numa alusão clara à essência do seu discurso, repetido à exaustão: "Temos de ser inteligentes". João Benedito, o guarda-redes, já minutos antes tinha aberto a porta à necessidade de usar o cérebro para bater os checos..Até porque, agora, sobre os checos, abate-se outro peso que não apenas a força do seu opositor, de Portugal. "Estão obrigados a ganhar depois da derrota com a Roménia [4-8]", apontou Orlando Duarte, que antevê benefícios nessa pressão. "É bom que estejam obrigados a ganhar, para não se meterem nos dez metros [zona defensiva]". Orlando Duarte acabou mesmo por resumir a ambição no Euro 2007 numa frase. "Se não ganharmos aos checos e à Roménia não estamos aqui a fazer nada"..A alusão ao estilo fechado dos checos tinha sido lançada por João Benedito. "Vai ser um jogo diferente do que tivemos com a Itália. A República Checa vai fechar-se mais defensivamente. Vai concentrar-se nos 10 metros [a tal zona próxima da baliza]". O que para Benedito, o guarda--redes, é ainda "complicado". "Porque podem estar 10 minutos sem chegar à nossa baliza e depois virem uma vez e marcarem um golo"..Aliás, o guarda-redes já antes tinha introduzido um tema caro ao seleccionador: o uso da cabeça, em detrimento do coração, da emoção descontrolada. "Temos de ser inteli- gentes. Ganhar por um ou por dez pode ser determinante para a classificação final, mas o mais importante é somar três pontos", defendeu. "Não podemos cometer erros infantis", acrescentou..Uma excelente deixa para Orlando Duarte, a propósito do jogo defensivo e de contra-ataque dos checos. "Não podemos ser burros e entregar a bola para contra-ataques rápidos", assumiu..De resto, a noção de inteligência parece assimilada na selecção: "Frente à Itália conseguímos controlar o jogo mesmo sem a bola", analisou o seleccionador de Portugal. "É um sinal de maturidade e inteligência.".À terceira é de vez?.Por fim, uma mensagem lúcida de João Benedito: "Gostava só de dizer que era bom que no terceiro Europeu organizado pela Federação Portuguesa de Futebol [depois do Euro 2004 e do Euro 2006 sub-21, ambos em futebol 11] conseguíssemos sermos campeões. Não é uma competição, seria um complemento".|