O refúgio da família Mello

A cortiça, a vinha e a produção de carne constituem os pilares da produção do Monte da Ravasqueira, que é o retiro da família Mello desde os anos 40. Foi aqui que José Manuel de Mello se dedicou ao apuramento da raça do cavalo lusitano.
Publicado a
Atualizado a

O Monte da Ravasqueira - cerca de três mil hectares nas proximidades de Arraiolos - é o refúgio de uma das mais influentes famílias do País: os Mello. A propriedade foi adquirida por Manuel de Mello em 1943. Quando o patriarca faleceu, em 66, passou para a posse do filho José Manuel de Mello - que morreu em Setembro passado  -, que ali se dedicou à agricultura, apostou no apuramento da raça do cavalo lusitano e plantou vinha.

"É a casa da família, o local onde todos passámos a nossa infância e onde nos reunimos com regularidade", diz ao DN Pedro Mello, revelando que a cortiça, a vinha e a produção de carne constituem os "pilares" da exploração.

Há cerca de três anos, a actividade equestre foi redesenhada. As éguas continuam na Ravasqueira - onde é possível visitar um museu com 34 carrua- gens totalmente restauradas -, mas os cavalos de competição foram instalados a norte de Paris, França. "Temos muito melhores condições para ter cá os cavalos, preferia tê-los cá, mas não há ritmo competitivo. No local onde se encontram, fazemos todos os concursos internacionais num raio de 600 quilómetros".

É a José Manuel de Mello que se deve um "papel muito importante" no apuramento da raça e na qualificação internacional do cavalo lusitano - em 2006 alcançou o título de campeão do mundo de atrelagem. O patriarca da família introduziu critérios de exigência, excelência e qualidade, sem os quais não teria sido possível atingir marcos tão importantes como a conquista, em 1996, por quatro cavalos lusitanos, do Campeonato do Mundo de Atrelagem.

A família continua apostada em prosseguir o caminho da excelência. Tal como o do vinho. As primeiras vinhas foram plantadas em 2000, numa antiga zona de pomares. As mais recentes têm apenas quatro anos. "Tem um grande potencial, estamos a fazer o nosso caminho."

Segundo Pedro Mello, Portugal tem um "problema de identidade internacional" a nível do sector vinícola, sendo necessário um maior investimento a nível promocional. "Os portugueses não são capazes de se associar e isso é dramático num país desta dimensão, em que é preciso massa crítica nos investimentos. Temos de vender uma região e não um único produto. Nisso estamos muito atrasados."

O empresário garante que existe um grande desconhecimento do que é a realidade portuguesa, e sobretudo a alentejana, que tem de ser combatido com um maior investimento por parte do Estado e dos empresários.

"Em França, Inglaterra e nos Estados Unidos, quando se fala do Alentejo, as pessoas não sabem o que é. Quando cá chegam, ficam encantadas com o que vêem e com o trabalho que se faz. Mas temos de investir na promoção", sublinha.
Outra aposta recente é o enoturismo. "Há um mercado com muito potencial em crescimento e temos de saber explorá-lo." Mas, também aqui, falta articulação entre os organismos públicos, o que retira margem de manobra aos empresários. Um exemplo: só mesmo às portas da herdade é que existe sinalização a indicar o caminho para a Ravasqueira. C L.M., Évora

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt