O preço alto que os portugueses não querem pagar

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Já cheira a fim de verão e com a chegada da chuva vem também a preocupação redobrada em relação à disseminação da pandemia. O fim do uso das máscaras na rua está a levantar muitas resistências junto da comunidade médica. Há mesmo quem considere ser uma medida puramente eleitoralista, a pensar nas autárquicas que se realizam no próximo dia 26 de setembro.

Ontem foi o dia em que se registaram menos casos de covid-19, desde o início de junho. O verão foi quente em contágios e, finalmente, a taxa de incidência cedeu, ainda que ligeiramente. Pelo contrário, os internamentos subiram pelo segundo dia consecutivo, atingindo agora 586, dos quais 11 em unidades de cuidados intensivos (UCI). Estes dados das hospitalizações devem manter-nos vigilantes.

A outra grande preocupação prende-se também com o arranque do ano escolar, determinado pelo governo entre hoje e 17 de setembro, e ainda com a chegada da estação outonal. Nas escolas, 99% do pessoal docente e não docente já está vacinado e essa é uma proteção importante. Mas a inoculação (ainda) não é tudo, porque não só se registam casos de vacinados que contraem a doença e alimentam cadeias de transmissão, como as crianças mais jovens continuam por inocular, podendo transportar o vírus para dentro das suas casas e das suas famílias.

Face à informação disponível que temos hoje, manter as máscaras será inevitável. Nos recreios das escolas ou nas ruas, qualquer decisão relativa a esta medida preventiva não deveria ser uma medida eleitoralista, mas sim um ato consciente, responsável e suportado cientificamente.

Hoje, no ensino público, dá-se início a mais um ano letivo em plena pandemia de covid-19 e o segundo com regras sanitárias estritas para evitar o contágio nas escolas, incluindo a utilização obrigatória de máscara a partir dos 10 anos e "fortemente recomendada" (pela Direção-Geral de Saúde) para os mais novos, a partir do 1.º ciclo.

À semelhança do que aconteceu no ano letivo passado, quando as escolas reabriram em abril, repete-se a realização de rastreios antes do início das aulas, que vão abranger os professores e os funcionários de todos os níveis de ensino e os alunos a partir do 3.º ciclo. Todas as pessoas dos grupos abrangidos serão testadas, independentemente do seu estado vacinal, numa altura em que docentes e não docentes têm a vacinação completa e 75% dos jovens a partir dos 12 anos já receberam a primeira dose.

Se os portugueses aguentaram um ano e meio de pandemia (curiosamente, assinalado no trágico dia 11 de setembro) e de máscara, aguentarão, certamente, mais um outono-inverno a usar a proteção individual e o bom senso, até que o controlo da pandemia seja efetivo.

Afirmar hoje, taxativamente, que a pandemia está controlada, parece-me um excesso e o país já percebeu que precipitações e fugas para a frente, como vimos acontecer no último Natal, implicam um preço demasiado alto a pagar.

rosalia.amorim@dn.pt

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