É um avião? É um planador? Não, é a maior ave que alguma vez cruzou os céus: o Argentavis magnificens. Viveu há seis milhões de anos, nas pampas da Argentina, pesava cerca de cem quilos e tinha uma envergadura de asas que podia chegar aos sete metros - só menos três que um avião Cessna 152. Contudo, apesar das suas dimensões, conseguia voar. .Com o auxílio de complexos modelos informáticos, os investigadores norte-americanos e canadianos descobriram que usava as mesmas técnicas de voo que os actuais praticantes de asa-delta ou parapente. Assim, em vez de bater as asas para levantar voo, corria num plano inclinado para ganhar balanço ou saltava de um ponto alto. Uma vez no ar, atingia uma velocidade de 67 km/h. ."O problema era levantar voo", disse à BBC o curador de paleontologia do Museu da Universidade Tecnológica do Texas. "Mas, assim que entrava numa corrente térmica ascendente, conseguia facilmente subir sem bater as asas, apanhava boleia voando em círculos. Depois, no topo, podia simplesmente deslizar para a próxima corrente e, desta forma, viajar 200 milhas [320 km] por dia", acrescentou Sankar Chatterjee. A mesma forma de voar dos abutres ou dos condores da actualidade..Os primeiros restos do Argentavis magnificens foram descobertos em 1979, em Salinas Grandes, nas pampas argentinas. Pensava-se que a elevada envergadura de asas seria excessiva para uma ave voadora - o albatroz-errante tem três metros. Contudo, segundo o estudo publicado esta semana na Proceedings of the National Academy of Sciences, a ave aproveitava as correntes quentes da região para planar - no Mioceno o planeta era mais quente e estas correntes eram mais frequentes. .Para aterrar, o Argentavis deveria utilizar os ventos contrários para diminuir a sua velocidade e compensar a insuficiência da sua massa muscular de forma a pousar suavemente. .Além da enorme envergadura de asas, esta ave gigante carnívora pesava cerca de 100 kg, media quase 3,5 metros desde a ponta do bico (ele próprio gigantesco) até à cauda e tinha 2,5 metros de altura. Algumas penas das suas asas chegavam a medir mais de um metro.|Com agências