Os debates televisivos têm favorecido o pugilato, ou seja, quantos socos um determinado líder de um partido consegue dar no adversário no menor tempo possível. A forma como têm decorrido não tem dado sequer tempo para debater as três ou quatro ideias principais e concretas de um pré-programa ou programa eleitoral. Os debates têm sido autênticos ringues de boxe, com pancada forte e alguns golpes baixos, mas que pouco têm ajudado a esclarecer os eleitores. Muitos são até divertidos e têm registado boas audiências, já que os frente-a-frente têm apenas 20 minutos e são eficazes a produzir sound bites, como se procura nesta era do imediatismo. Nas redes sociais debate-se a "boca" de um face a outro, o "golpe" de um perante outro. Mas das ideias concretas que podem vir a construir um país melhor pouco ou nada ainda se debateu..Os diálogos têm sido também uma espécie de ajustes de contas, em direto, relativamente ao período governativo dos últimos seis anos: quem apoiou mais versus quem chumbou mais..O país aguarda a confirmação de que poderá estar a sair de uma pandemia para uma endemia e espera estar prestes a sair de um ciclo económico de crise para entrar numa longa e permanente curva de recuperação e, de uma vez por todas, gostaria de ouvir que modelo governativo pode catapultar Portugal, que políticas de fundo propõem os partidos que vão a eleições legislativas a 30 de janeiro, que reformas para o futuro e que possíveis acordos serão possíveis e em que áreas estratégicas. O que for construído a partir de fevereiro será determinante para os próximos quatro anos..É uma falsa questão tocar em temas que pouco ou nada ditarão o nosso futuro, como a pena de morte - já que Portugal foi dos primeiros países a aboli-la, e bem. Os partidos democráticos não podem ir atrás da agenda populista que condiciona os diálogos a temas como este. Dos partidos da democracia e da liberdade espera-se mais, muito mais. Do ponto de vista jornalístico e da análise aos debates, creio que falta também fazer mais, ir mais longe, para além de cavalgar os sound bites do dia ou da semana. Com a missão de informar, sempre.