O debate que interessa para o pós-2022

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Os debates televisivos têm favorecido o pugilato, ou seja, quantos socos um determinado líder de um partido consegue dar no adversário no menor tempo possível. A forma como têm decorrido não tem dado sequer tempo para debater as três ou quatro ideias principais e concretas de um pré-programa ou programa eleitoral. Os debates têm sido autênticos ringues de boxe, com pancada forte e alguns golpes baixos, mas que pouco têm ajudado a esclarecer os eleitores. Muitos são até divertidos e têm registado boas audiências, já que os frente-a-frente têm apenas 20 minutos e são eficazes a produzir sound bites, como se procura nesta era do imediatismo. Nas redes sociais debate-se a "boca" de um face a outro, o "golpe" de um perante outro. Mas das ideias concretas que podem vir a construir um país melhor pouco ou nada ainda se debateu.

Os diálogos têm sido também uma espécie de ajustes de contas, em direto, relativamente ao período governativo dos últimos seis anos: quem apoiou mais versus quem chumbou mais.

O país aguarda a confirmação de que poderá estar a sair de uma pandemia para uma endemia e espera estar prestes a sair de um ciclo económico de crise para entrar numa longa e permanente curva de recuperação e, de uma vez por todas, gostaria de ouvir que modelo governativo pode catapultar Portugal, que políticas de fundo propõem os partidos que vão a eleições legislativas a 30 de janeiro, que reformas para o futuro e que possíveis acordos serão possíveis e em que áreas estratégicas. O que for construído a partir de fevereiro será determinante para os próximos quatro anos.

É uma falsa questão tocar em temas que pouco ou nada ditarão o nosso futuro, como a pena de morte - já que Portugal foi dos primeiros países a aboli-la, e bem. Os partidos democráticos não podem ir atrás da agenda populista que condiciona os diálogos a temas como este. Dos partidos da democracia e da liberdade espera-se mais, muito mais. Do ponto de vista jornalístico e da análise aos debates, creio que falta também fazer mais, ir mais longe, para além de cavalgar os sound bites do dia ou da semana. Com a missão de informar, sempre.

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