Com a neve a cair sobre Kiev e a temperatura a descer para baixo de zero, as autoridades ucranianas admitiram ontem não ter capacidade para produzir eletricidade suficiente para responder à crescente necessidade de aquecimento, estando à procura de soluções junto dos seus vizinhos da União Europeia. Isto num momento em que as chefias militares temem que se repitam os ataques russos do inverno passado contra a sua infraestrutura energética..Há um ano, milhões de ucranianos ficaram às escuras e ao frio devido aos ataques russos contra as centrais elétricas e outros locais de produção de energia. Agora a Ukrenergo, fornecedor de eletricidade ucraniano, explica que perante o aumento do consumo, já pediu ajuda aos operadores da Roménia, Eslováquia e Polónia para darem "assistência urgente" para aumentar a oferta..Nas últimas semanas Kiev tem reforçado os apelos junto dos aliados ocidentais para melhorar as suas defesas aéreas perante a ameaça de ataques sistemáticos da aviação russa contra as suas instalações de produção de eletricidade. Apesar de as autoridades ucranianas não revelarem detalhes sobre o estado da sua rede elétrica, um relatório da ONU divulgado no verão dava conta de que seria hoje metade do que era antes da guerra..No mesmo dia em que as autoridades russas anunciaram a morte de mais cinco pessoas em bombardeamentos russos no sul e leste do país, as mesmas fontes, citadas pelo jornal britânico The Guardian, garantiram que Moscovo está a enviar "vagas" de soldados para Avdiivka. A cidade ucraniana tornou-se no novo centro da guerra, quando os russos lançaram todas as suas energias nesta pequena localidade da província de Donetsk, com perdas estimadas nas dezenas de milhares de soldados, numa batalha metro a metro e a mais sangrenta desde Bakhmut, que tinha sido, em maio, a última vitória assinalável da Rússia, muito graças à atuação dos mercenários do grupo Wagner..Ontem o ministério da Defesa britânico anunciou que um grupo de antigos elementos do Wagner foram oficialmente reconhecidos como militares veteranos pela Rússia. Tal surge após o grupo ter integrado a guarda nacional russa, e após especulações geradas sobre o futuro dos mercenários após o motim de junho passado e a morte do seu líder, Yevgeny Prigozhin, na queda de um avião em que seguia a norte de Moscovo e que se suspeita ter sido alvo de um ataque orquestrado pelas autoridades russas..Citando documentos russos e ucranianos, a BBC revelou ontem que Sergei Mironov, um político russo próximo de Vladimir Putin terá adotado uma criança, agora com dois anos, que foi levada de um orfanato na cidade ucraniana de Kherson. Acusações que Mironov negou. A Rússia tem sido acusada repetidamente de deportar à força milhares de crianças ucranianas levadas de escolas, hospitais ou orfanatos em zonas do país sob controlo russo..O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de captura contra Putin por "crimes de guerra e deportação ilegal" e transferência de crianças da Ucrânia para a Rússia. Segundo a BBC, Mironov surge nos registos de adoção de uma menina de dois anos que foi levada em 2022 por uma mulher com a qual ele é hoje casado". Mironov considerou a investigação uma "farsa histérica lançada pelos serviços secretos ucranianos e pelos seus curadores ocidentais".