Música: Tito Paris em dois espectáculos em Cabo Verde com Orquestra Metropolitana de Lisboa

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Cidade da Praia, 03 Abr (Lusa) -- O autor, compositor e cantor cabo-verdiano Tito Paris, que reside em Lisboa, vai dar este mês dois espectáculos em Cabo Verde juntamente com os 24 membros da Orquestra Metropolitana de Lisboa, disse hoje à Agência Lusa o seu promotor.

Segundo Aldino Cardoso, os espectáculos decorrerão a 13 de Abril, no Mindelo, por ocasião do 130.º aniversário da elevação a cidade da capital da ilha de São Vicente, e a 17 do mesmo mês na Cidade da Praia, integrados nas comemorações do Banco InterAtlântico (BI, com capitais da Caixa Geral de Depósitos).

Aldino Cardoso adiantou estarem em curso conversações com a Câmara Municipal da Praia para estudar a possibilidade de Tito Paris e a OML actuarem num espectáculo ao ar livre, uma vez que o que está previsto decorrerá na sala de conferências da Assembleia Nacional (AN) cabo-verdiana.

Os concertos são uma reedição de um espectáculo realizado pela primeira vez em 1995, na Aula Magna, em Lisboa, e que viria a dar origem a um CD e um DVD, lançados em 2007, com novos arranjos para os "clássicos" do autor de "Dança Mi Crioula".

Natural do Mindelo (ilha de São Vicente), onde nasceu a 30 de Maio de 1963, Tito Paris é o penúltimo de nove irmãos, na sua grande maioria músicos.

Foi com naturalidade que começou a dar nas vistas nos bares e restaurantes do Mindelo, onde reside a elite intelectual do arquipélago, aprendendo com outros renomados músicos locais, como Jack Monteiro, Luís Morais, Valdemar Lopes Silva e Chico Serra, entre outros.

Além de ter formado várias bandas de música, aprendeu sobretudo com o seu primo, o popular Bau, tendo chegado ao mundo dos discos através da música "Regresso", que escreveu e da qual fez os arranjos para um álbum de Cesária Évora, a mais conhecida artista cabo-verdiana da World Music.

Encorajado por Bana, outro dos vultos da música de Cabo Verde, Tito Paris partiu com 19 anos para Lisboa, para integrar, na altura, o também conhecido conjunto Voz de Cabo Verde, começando aí mesmo a aventura musical "a sério", tal como disse recentemente à Lusa.

Conhecido inicialmente pelos seus dotes como tocador de violão, foi, porém, como baterista que iniciou a sua aventura na Voz de Cabo Verde, após o que se tornou baixista, abandonando o grupo em 1983 para acompanhar outro nome importante da música crioula, Dany Silva, que o motivou a abraçar definitivamente o violão (guitarra).

Dois anos mais tarde, em 1985, produz o seu primeiro disco, intitulado apenas "Tito Paris", totalmente instrumental. Sempre sem cantar, Tito Paris viu-se na obrigação de o começar a fazer quando, em 1986, num bar em Amesterdão (Holanda), foi confrontado com essa necessidade e, a partir daí, nunca mais parou.

Em 1994 grava "Dança Mi Crioula", que acabaria por tornar-se o seu cartão de visita, surgindo então colaborações frequentes com artistas portugueses, como, entre outros, Vitorino, Sérgio Godinho e Paulo de Carvalho, o que lhe permitiu cimentar a sua imagem junto do público português.

Além da banda sonora do filme "O Testamento do Senhor Napumoceno", obra baseada no livro do escritor cabo-verdiano Germano de Almeida, compôs e gravou "Ao Vivo no B.Léza" (1999), "Graça de Tchega" (também de 1999), "Guilhermina" (2002) e "Tito Paris Acústico na Aula Magna" (2005, ao vivo).

JSD.

Lusa/Fim

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